domingo, 27 de março de 2011

fechando um ciclo



 "Eu comecei minha faxina. Tudo que não serve mais (sentimentos, momentos, pessoas) eu coloquei dentro de uma caixa. E joguei fora. (sem apego. Sem melancolia. Sem saudade). A ordem é desocupar lugares."

(Fernanda Mello)

Existe um lugar que ainda sinto aquela dor. Lembro de um som que me preserva, afasta. Na minha cabeça, começa a fazer sentido. Sou inocente, sou ingênua, não amadureci. Eu também tenho medo, eu também não sei se gosto ou porque gosto ou se ao menos deveria gostar. Estou fraca. Estou fraca e só. Mas qualquer reflexão é tardia. Desvio-me de quem já amadureceu com receio de estragar prematuramente. Se depender de nós ninguém vai saber, diretamente, dos relâmpagos, da chuva e do choro guardado. Só desejo fechar os olhos e perceber o contato com as mãos de alguém que não faça caso da minha fraqueza.

sábado, 26 de março de 2011

(in)decisão



"Uma viagem bem longa, para bem longe daqui, talvez resolvesse, se é que há mesmo algo para ser resolvido. Mas talvez a solução esteja na paisagem interna, não na externa. Talvez eu possa modificar aquela sem modificar esta. O que eu queria era modificar as duas, de uma só vez. Queria ter o que ver, quando olhasse dentro ou fora de mim".

(Caio Fernando Abreu)

Quando me fala coisas sobre o amor, não fala em nomes, mas em números. Falha miseravelmente, já de começo. De quantidade sem igual. E não dá em nada. Imaginei que dessa forma não pudesse ser semelhante. Pensa e repensa tudo. Sem o perigo da doação resultante. Sem pôr o coração nas mãos de uma pessoa, única, escolhida entre tantas e falar: é seu, faça dele o que achar melhor. Se colocando no lugar. Se entregando aos poucos a cada passo dado, em cada momento compartilhado, não se doa fácil. Se ressente. Continua no seu ponto principal, enquanto os outros andam à sua volta, num gracejo infinito. Ensaia discursos, decide que não vai tentar mais nada. O que aparentava ser um risco, era a mais certa das opções. Mas, era mesmo uma opção? Não tenho certeza. Não mais. 

sexta-feira, 4 de março de 2011

que assim seja!

               




"Eu vou te esquecer bem baixinho que é pra nem eu escutar.
De mansinho, num cantinho quase mudo do meu coração."

(Sii Thomazini)

E por favor, respeite meu silêncio