"Uma viagem bem longa, para bem longe daqui, talvez resolvesse, se é que há mesmo algo para ser resolvido. Mas talvez a solução esteja na paisagem interna, não na externa. Talvez eu possa modificar aquela sem modificar esta. O que eu queria era modificar as duas, de uma só vez. Queria ter o que ver, quando olhasse dentro ou fora de mim".
(Caio Fernando Abreu)
Quando me fala coisas sobre o amor, não fala em nomes, mas em números. Falha miseravelmente, já de começo. De quantidade sem igual. E não dá em nada. Imaginei que dessa forma não pudesse ser semelhante. Pensa e repensa tudo. Sem o perigo da doação resultante. Sem pôr o coração nas mãos de uma pessoa, única, escolhida entre tantas e falar: é seu, faça dele o que achar melhor. Se colocando no lugar. Se entregando aos poucos a cada passo dado, em cada momento compartilhado, não se doa fácil. Se ressente. Continua no seu ponto principal, enquanto os outros andam à sua volta, num gracejo infinito. Ensaia discursos, decide que não vai tentar mais nada. O que aparentava ser um risco, era a mais certa das opções. Mas, era mesmo uma opção? Não tenho certeza. Não mais.