Mostrando postagens com marcador do fim. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador do fim. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Algumas coisas



Acho que uma das coisas mais difíceis na vida é entender que o fim pode representar de alguma forma um recomeço, uma renascença. A única coisa “ruim” disso são as análises que começamos a fazer sobre a própria vida. Recentemente tenho pensado muito nisso e percebo ciclos se fechando, pois a vida deseja que seja desse jeito. E nesses momentos não adianta insistir, bater pé, desejar tentar mais uma vez. “Engole o choro!” Essa é a frase que mais falo para mim ultimamente. Apenas nos resta aceitar e notar que alguma coisa nova começa ali e que é necessário ter esperança. Não que isso seja simples. Prometo que se for sempre assim, nunca mais reclamo por não dormir. Mesmo que doa um montão assim.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

(...)



“Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.”

(Vinícius de Moraes)

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Tudo muda o tempo todo no mundo



"...tento fugir para longe e a cada noite, como uma criança temendo pecados, punições de anjos vingadores com espadas flamejantes, prometo a mim mesmo nunca mais ouvir, nunca mais ter a ti tão mentirosamente próximo, e escapo brusco para que percebas que mal suporto a tua presença, veneno veneno ..."

(Caio Fernando Abreu)

Um dia as coisas ficam pela estrada: roupas, camas, beijos, amassos.
O lugar-comum.
A estrada foi aumentando-se com o passar do tempo e aquelas coisas que pareciam infinitas tornaram-se ocultas.
Fraqueza.
Os chinelos esquecidos em lugares mais exclusos.
A dor, a intensidade e o fogo.
A boca suja de sangue nem encobre o batom cor de vinho.
E de nenhum outro jeito.
Não há mais indícios.
Sem vozes alheias nem julgamentos externos.O que restou foi um ar quieto e áspero; um nó na garganta e o beijo de outros tempos.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Limite




"E recomeçar é doloroso. Faz-se necessário investigar novas verdades, adequar novos valores e conceitos. Não cabe reconstruir duas vezes a mesma vida numa só existência. É por isso que me esquivo e deslizo por entre as chamas do pequeno fogo, porque elas queimam - e queimar também destrói."
(Caio Fernando Abreu)


Parou então para pensar o que ele tinha vindo fazer na sua vida, por que havia cruzado o seu caminho desta maneira tão inoportuna, sem dar espaço para recusas, receios, cuidados. Ela sempre olhava para trás e lembrava dos detalhes bonitos, dando espaço para pensar em reconstruir, mas reconstruir o quê, já que olhou de novo e percebeu o quanto aquele lugar sempre foi vazio.


Aquela sensação de abandono que toda vez ele deixava já não era mais a mesma, pois nunca realmente estiveram juntos. Nunca haviam passado o Natal juntos, o Ano Novo, o dia dos namorados e tantas outras datas importantes, as quais ele sempre costumava falar do capitalismo como desculpa. Mas e o que falar das fotos como casal que eles nunca tiraram? E dos planos que ela insistia em fazer com ele? Isto é que era afinal: um amontoado de expectativas, dores, desejos, equívocos e uma boa porção de amor e esperança – é o que a fazia sobreviver.

Em um dia muito sem graça, andando silenciosa e cheia de desânimo ela aprendeu a enxergar o seu limite. Viu que durante todo esse tempo, achando que ele fosse o homem da sua vida era, na verdade, a ilusão da sua vida - o moço e sua substituta, sempre à procura da mulher de sua vida. Ele foi seu relacionamento mais curto e seu romance mais longo.

Hoje tudo o que ela quer é esquecer o que foram, o que disseram, o que fizeram. Quer tirar dela, apagar as marcas, quer esquecer de tudo o que ele trouxe para sua vida, de bom ou de ruim, não importa. Quer esquecer as poucas vezes que pegou em sua mão, de alisar os seus dedos, de contornar – sem mesmo perceber – a linha do seu corpo como quem tenta decorar um traçado para desenhar depois na memória. Esquecer todas as mágoas, todas as noites passadas em claro. Quer esquecer as vezes em que achava que ele ia ver como ela queria que ele a visse, toda a disposição que ela se propunha tantas vezes. Ela quer esquecer. Mais do que isso, ela precisa esquecer, senão não sobrevive – ela precisa varrê-lo dela, pra sempre.

Ela compartilha silenciosamente da sua solidão, bem de longe, imersa em sua própria impossibilidade, com uma tristeza cinzenta que não precisa dividir, já que ele não cuidou bem dela, pois está feliz demais pra se importar.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

impiedade






Pegue este poema e beba dele uma amarga dose que entre vários suspiros e desgostos me fizeram recordar que um dia te amei. Mas o tempo é o grande rei, me fez ver com olhos sem vida um sentimento que se omitiu e agora te vejo longe daqui deixado entre incertezas, saudades e desenganos, cantando nos botecos o lamento dos homens esquecidos.


Escrito em 08 de setembro de 2011

quarta-feira, 20 de julho de 2011

vespasiana


☊ give me a sign 


Mãos transpiram, olhos arregalados, coração acelerado, pernas agitadas, sensações de quem está apaixonado. Ou então está a ponto de um infarto. De qualquer modo aplica-se a um mal do coração. Como é chato não passar por nada disso. Não ter a quem amar, em quem ficar pensando durante os momentos de ócio do dia, com quem sonhar, para dedicar cada palavra mal rimada, como é ruim precisar conter todo o sentimento oculto em qualquer cantinho dessa vida quase desprezível que vivo. Não parece terrivelmente injusto? Empurrar pro cantinho pra não acabar dando a quem não é merecedor ou indo dissipá-lo todo com as ofensas e mágoas e lembranças ruins. Porque quando a gente ama, o passado fica muito longe e as possibilidades de futuro se apresentam como única forma de salvação. Não sei se fico mais fraca quando amo ou quando não amo. Às vezes me sinto tranquila, simulacro de um real coração, orgânico, só músculo a pulsar. Amar é benéfico mesmo quando dói? Existe curativo para um coração que teima em se machucar, mesmo sem ter motivo? Existe calma para um bater incessante de asas que seca a garganta? Existe remédio para ferimentos que não se curam apesar do tempo que passou? Existe remédio ou muletas para apenas existir? Existe solução para quem ama, mas está sempre só?

sábado, 9 de julho de 2011

"Apenas se ama, na tranquilidade de nada exigir em troca"


☊ love is noise 



"E gosto das tuas histórias. E gosto da tua pessoa. Dá um certo trabalho decodificar todas as emoções contraditórias, confusas, somá-las, diminuí-las e tirar essa síntese numa palavra só, esta: gosto."

(Caio Fernando Abreu)





O amado fragilizado, atirado sobre a cama, sonha com os olhos bem fechados.
Ele amava o lado obscuro dela, amava quando ela ficava brava, amava o que há de pior nela.
Não crê no fim da linha, não pode acreditar que tudo se desmanchou completamente.
Como dizer o que é preciso ser dito?
Apaixonados desde o primeiro momento - o dela.
Naquele tempo em que era tão bom não achar as respostas certas.
Cantarolava canções quando a levava ao trabalho.
Tinham sua falta de juízo, suas palavras, suas músicas e uma imaginação invejável.

Ah, querido, não permita que esses olhos fechados encerrem esse amor.
As centenas de caixas cheias de chocolate provam a grandeza dessa paixão: uma adolescência transparente.
Essa história está somente passando para a vida adulta.

segunda-feira, 4 de julho de 2011


☊ the drugs don't work


"Querido,
Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis. E não quero revivê-los. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que me parece ser o melhor a se fazer. Você me deu muitas possibilidades de ser feliz. Você esteve presente como nenhum outro. Não creio que duas pessoas possam ser felizes convivendo com esta doença terrível. Não posso mais lutar. Sei que estarei tirando um peso de suas costas, pois, sem mim, você poderá trabalhar. E você vai, eu sei. Você vê, não consigo sequer escrever. Nem ler. Enfim, o que quero dizer é que é a você que eu devo toda minha felicidade. Você foi bom para mim, como ninguém poderia ter sido. Eu queria dizer isto – todos sabem. Se alguém pudesse me salvar, este alguém seria você. Tudo se foi para mim mas o que ficará é a certeza da sua bondade, sem igual. Não posso atrapalhar sua vida. Não mais. Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos.V."



(Virginia Woolf)

quarta-feira, 25 de maio de 2011

dois ponto cinco


☊ coisas da vida

"Lóri estava triste. Não era uma tristeza difícil. Era mais como uma tristeza de saudade. Ela estava só. Com a eternidade à sua frente e atrás dela. O humano é só. Ela quis retroceder. Mas sentia que era tarde demais: uma vez dado o primeiro passo este era irreversível, e empurrava-a para mais, mais, mais! O que quero, meu Deus. É que ela queria tudo."

(Clarice Lispector)

É isso, lógico. Como não havia pensado nisso antes? Acho que foram os gritos de desespero que calaram meus pensamentos e me tiraram a atenção. E essa semana mais um acontecimento triste. E fiquei aqui com meus botões - que não tenho - pensando sobre os caminhos e descaminhos da vida, sobre as idas e voltas do destino, sobre as escolhas que fazemos (ou não) e suas consequências. Uma velha conhecida, dos tempos do colégio, desistiu. Da vida, de tudo. De fazer e refazer caminhos. Deixou bilhete de adeus e teve seu ato de coragem. E assim desistiu. Tão silenciosamente, como se a vida pertencesse só a ela e a mais ninguém que a amava. Mas pertence, mas pertencia. A vida é cheia de encruzilhadas, eu sei. Sim, eu sei.

Fiquei espantada com a intensidade que essas decisões têm. Ninguém é obrigado a tomar decisões conscientes - sejam quais forem.

Não dá um certo medo quando essas coisas acontecem? De que possa acontecer com a gente também? Ninguém é obrigado a ir além do óbvio, do que é repetido por todos, da facilidade do caminho que todo o resto segue. Mesmo que seja uma atitude deliberada. Pois o traço que dividi o desejo da atitude em si é muito frágil. Não me acho mais capaz de tomar decisões do que qualquer outro. É preciso ter sempre alguém cuidando de você pra que não exceda esse traço em momentos de desespero. Sejam eles quais forem, porque os meus não são os únicos.

Agora, eu não sei. De um certo modo, me senti envergonhada por ter sido muito fraca ultimamente. Dias de sentimentos diversos e tão intensos. Ângulos diferentes. Tem pessoas com problemas bem maiores que os meus. E, ao mesmo tempo, percebi que talvez eu nem seja tão fraca quanto penso. A minha vida é mesmo um grande liquidificador de misturas efêmeras.

Percebi isso. Afinal, ainda não desisti.

sábado, 30 de abril de 2011

do tempo que passa, das coisas que ficam


☊ unattainable

"Belos amores perdidos,
Muito fiz eu com perder-vos;
Deixar-vos sim; esquecer-vos
Fora demais, não o fiz.
Tudo se arranca do seio,
- Amor, desejo, esperança...
Só não se arranca a lembrança
De quando se foi feliz."

(Vicente de Carvalho)

Algumas coisas perderam a alegria, perderam sua beleza, seu espaço e desencantaram. Algumas pessoas perderam o lugar privilegiado, perderam o brilho e não conseguem mais produzir. Algumas fotos perderam a cor, perderam significados. Algumas lembranças perderam sua reluzência, perderam valor. Alguns pensamentos perderam a direção, perderam a razão. E por trás dos pensamentos, pessoas.

Eu fiquei sem nexo. Estou deixando de me amar. Lembrei de tanta coisa, uma por uma. Foi como viajar no tempo, só borboleteando entre memórias e sentires e carinhos e distâncias irremediáveis. Não sei mais o que perdi, mas tenho que ficar com os dois pés no chão. Eu tenho um sentimento por algumas pessoas que passaram pela minha vida que nem sei como nomear, talvez seja uma espécie de gratidão.

Preciso acreditar que eu não tenho culpa, mas fins de semana são tão cheios de melancolia, de nostalgia. Agora meu milagrezinho bateu na minha porta. E essas coisas, são poucas, mas tão intensas e de vez em quando bate uma saudade.

Por favor, apague a luz e feche a porta ao sair.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

sentir



"Costurou então seu coração com palavras macias, gracejos, carinho na ponta dos dedos do pé, beijos na nuca, mãos que circundavam a cintura, com as canções mais bonitas, meias listradas. O seu coração então encheu-se de cor... e ela não quis mais chorar."

(Natália Anson Lima)

A gente sempre pensa que está melhor do que realmente está ou que algumas coisas já foram deixadas pra trás e não voltam ou que não vai sofrer por certas coisas que escolhe deixar de lado. E muitas vezes a gente leva essa rasteira da vida, é como se alguma coisa viesse nos alertar que não temos as rédeas da nossa vida em nossas mãos como imaginamos, existe alguma coisa mais forte no comando pra nos alertar que somos insolentes e egoístas a maior parte do tempo e que ainda falta muito a aprender, mesmo quando você tem conhecimento que não conhece mesmo muita coisa. Para que a escuridão do futuro não tenha importância, pois já tivemos tudo que poderíamos querer e querer mais é apenas ganância. É fato, as lições sempre chegam, uma hora ou outra, de um jeito ou de outro, sempre em ocasiões inesperadas, não vou dizer inconvenientes. Viva a saudade, o amor e a dor. Doer nunca é legal, não é? O pior é quando a dor não é alguma coisa grave, nem é um poderoso drama, é só uma dorzinha delicada e intensa, uma inflamação que fica lá, irritando e te alertando de quem você realmente é. Pequenas dores também irritam.