sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

medo de errar



"Comecei a me preparar, acendendo o incenso de sândalo, arrumando sobre a cama as almofadas lilases, apagando a luz do canto, acendendo a da cabeceira, mais íntima, sob o lenço abissínio, para que me encontrem em paz e sintam-se perfeitamente à vontade nesta nuvem roxa suspensa que habito e que chamo às vezes, irônica, de 'meu mundo'."

(Caio Fernando Abreu)


Tive uma sensação como se duas mãos me cobrissem os olhos de um jeito muito rápido, antes mesmo que eu tivesse a chance de questionar quem era e do nada, foi apenas a urgência de sair imediatamente de casa e correr pra rua, sem estar certa pra que ponto exatamente. Preciso começar de onde parei e começar está se tornando algo difícil. Bater porta sabendo que vai voltar, insultar sabendo que o outro vai desculpar, fazer bobagens que irão irritar por bastante tempo. Fazer amor prazeroso depois disso tudo. Novas situações, novos cenários, novos dialetos. Nova forma de ver o mundo com os mesmos olhos, mas com outra visão. É o que se espera, mas nem sempre o corpo acompanha. Tudo tem sido um aprendizado. Tudo tem sido uma só certeza. Tive um dejavu canalha. Coração na boca, uma saudade sem fim e vontade de colo. Uma cumplicidade assustadora. E ter medo é minha obrigação e meu talento. Aquele abraço capaz de segurar o mundo é como se fosse a última melhor lembrança que pudesse ter na vida. O resto é apenas dor de cabeça de uma noite mal dormida.