"E re… nasceria, depois. Em cada amanhecer, renovada e sempre a mesma, endurecida em sua natureza."
Mostrando postagens com marcador culto racional. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador culto racional. Mostrar todas as postagens
domingo, 21 de agosto de 2011
Essa forte doçura
Quando escuto aquele célebre clichê que atinge a vida como um filme de sessão da tarde com alguma lição de moral, invariavelmente minha mente cria outro raciocínio. Olho quase sem querer pra frente, num desses gestos ínfimos que são capazes de mudar a vida de qualquer pessoa de pouca fé. Vejo uma pessoa digna de todo crédito como um confronto entre nossa vida e um livro biográfico. Nesses momentos, penso em Godard pra delírio dos mais piedosos e decadentes leitores. À proporção que se ganha experiência, este trabalho difícil de ser compreendido, segue-se enriquecendo de palavras ilusórias, de fatos transformados em verbos. Mesmo com a rotina impondo encontros diários entre personagens. Contudo, a cada novo dia, um novo capítulo é acrescentado a esta obra. Este excelente trabalho, todavia, não admite ser editado. E a vida continua, sem sentido algum. Não permite que seja modificada ou revisada. E só. Terminando-se o total de páginas escritas, cada obra tem seu tempo entre o começo e o fim, vai como achar às prateleiras, onde é examinada pelos consumidores. Essa doçura forte. Se parecer aprazível, com frases e tempos decorridos sobre uma vida completa, enérgica e aproveitável, muita gente compra e lê. Se for desagradável, não tendo algo que incremente o próprio livro daquele que lê, as traças se tornam suas companheiras inseparáveis. Eu passei um certo tempo achando que tinha que mudar tudo no meu livro, deixar de ser tudo o que sou, pra poder ser forte – e mais do que isso, para poder provar aos outros a minha força. Na minha passagem por este mundo, tenho esperanças de poder escrever muita coisa que desperte interesses. Compreendo a marcha e vou tocando a frente, como diria o cantor. Meu livro, aspiração, deixando a modéstia de lado, que seja repleto de excertos de impacto, os quais suponho que deem ao futuro leitor aprendizado útil. Um caminho imenso, que é meu e não precisa ser mudado. Ainda estou no início, óbvio, mas já percorri vários livros, em várias estantes. E há outros tantos ainda a serem escritos. E vejo, também, que, infelizmente, há alguns livros que jamais serão vendidos, pelo mero fato de neles consistirem somente páginas em branco.
domingo, 10 de abril de 2011
me encontre
"Então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo - o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto."
(Antônio Prata)
(Antônio Prata)
E então a vida segue o seu caminho.
E nuvens já não são mais sinônimo de melancolia.
E nuvens já não são mais sinônimo de melancolia.
O tempo passa.
Firme como rocha, estável.
Flores se escondem para brotarem na próxima estação.
Flores se escondem para brotarem na próxima estação.
Solidão, frieza, covardia e medo.
A pureza da criança é espalhada;
Enquanto isso o velho pensa que não viu aqueles anos correrem.
A pureza da criança é espalhada;
Enquanto isso o velho pensa que não viu aqueles anos correrem.
Da grandeza dos pequenos gestos.
Em um dia a tristeza se aloja por dentro. Eia. No dia seguinte o sol derrama pelo horizonte.
Em um dia a tristeza se aloja por dentro. Eia. No dia seguinte o sol derrama pelo horizonte.
Não morreu, no entanto.
Anda pelas folhinhas do calendário, insaciável por um momento de descanso imaginário.
Anda pelas folhinhas do calendário, insaciável por um momento de descanso imaginário.
A vida fica pequena se você não tem com quem dividir as suas besteiras.
Comemora teu aniversário. Carnaval. O Natal. Deveria comemorar o tempo todo.
Comemora teu aniversário. Carnaval. O Natal. Deveria comemorar o tempo todo.
Mas não era o tempo certo. Não existe lugar nem hora certa para dizer adeus.
Os ônibus podem ser lentos. Vazios ou cheios.
A parte mais interessante é aguardar por eles na parada. Sempre.
Os nossos caminhos se cruzam. E o teu corta com o dele e o dela.
Mas poucos de nós chegam ao fim da linha.
Os ônibus podem ser lentos. Vazios ou cheios.
A parte mais interessante é aguardar por eles na parada. Sempre.
Os nossos caminhos se cruzam. E o teu corta com o dele e o dela.
Mas poucos de nós chegam ao fim da linha.
Pode-se constatar que os diferentes tons de adeus realmente significam algo;
Que na despedida pode-se prever a finitude dos encontros.
Aparecem outros tempos. Outras épocas. Novas cenas.
Além disso, o personagem serve-se do mesmo figurino.
Aparecem outros tempos. Outras épocas. Novas cenas.
Além disso, o personagem serve-se do mesmo figurino.
O beijo de despedida não parece nem o ensaio do primeiro.
Alguém desfaz um sonho teu. Que outrem pode lhe restituir.
Alguém desfaz um sonho teu. Que outrem pode lhe restituir.
Quatro e meia, seis e quarenta e cinco, nove e cinquenta e seis, onze e vinte, meia noite
Ponteiros andam depressa. O dia surge tantas outras vezes. As águas é que não retornam mais.
Ponteiros andam depressa. O dia surge tantas outras vezes. As águas é que não retornam mais.
Se fosse sol, se fosse rosa, se fosse inverno, se fosse outra?
Enquanto vê o que está acontecendo no mundo. E às vezes seu gesto é tão tênue que se coloca em esquecimento.
Mas eis que está.
E então a vida segue o seu caminho.
Existem pessoas fadadas a transformar o amor em algo belo por seus atos, por sua reciprocidade e delícia de tardes de sol e corpos nus.Enquanto vê o que está acontecendo no mundo. E às vezes seu gesto é tão tênue que se coloca em esquecimento.
Mas eis que está.
E então a vida segue o seu caminho.
Para a nossa sorte. Sempre.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
não quero mais a realidade comum
Seja bem vindo à época de 'jamais aposte muito em alguma coisa que não lhe é proveitosa'; hoje vivemos a era das quimeras, do amor nosso de cada fim de semana, da falta de esperança das pessoas. Amores são sempre possíveis, sim.
É fato que o universo é justamente em torno do umbigo de cada um, que vive
do seu jeito e desempenha aquilo que é melhor para si.
Mas enfim, pra que imaginar em causar alguma coisa pra alguém?
Pra que é favorável ou foi favorável o favor? A alternância? Nessas noites sem álcool, os dias ficam muito mais estranhos de se entender.
Sendo agora mais específica...
Vejo com admiração minha falta de capacidade. A minha teimosia em ser aprazível, em ser prudente, em ser boba, desagradável, insignificante. Porque o que sinto hoje me é esquisito e não me cabe, já não escrevo; vomito palavras que ardem para sair.
Procurar ver o que várias pessoas não veem, procurar satisfazer uma coisa que não me satisfaz. Nesses dias sem álcool, conclusões me transtornam a cabeça, meus textos me destroem involuntariamente, insignificantemente a linearidade do cotidiano.
Ainda que pra alguns seja complicado ceder, eu acendo gentileza, trago a felicidade e aproveito a vagabundagem da melancolia... como um último cigarro.
É fato que o universo é justamente em torno do umbigo de cada um, que vive
do seu jeito e desempenha aquilo que é melhor para si.
Mas enfim, pra que imaginar em causar alguma coisa pra alguém?
Pra que é favorável ou foi favorável o favor? A alternância? Nessas noites sem álcool, os dias ficam muito mais estranhos de se entender.
Sendo agora mais específica...
Vejo com admiração minha falta de capacidade. A minha teimosia em ser aprazível, em ser prudente, em ser boba, desagradável, insignificante. Porque o que sinto hoje me é esquisito e não me cabe, já não escrevo; vomito palavras que ardem para sair.
Procurar ver o que várias pessoas não veem, procurar satisfazer uma coisa que não me satisfaz. Nesses dias sem álcool, conclusões me transtornam a cabeça, meus textos me destroem involuntariamente, insignificantemente a linearidade do cotidiano.
Ainda que pra alguns seja complicado ceder, eu acendo gentileza, trago a felicidade e aproveito a vagabundagem da melancolia... como um último cigarro.
"Porque o que presta também não presta. Além do mais, o que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto do modo carinhoso do inacabado, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão."
(Clarice Lispector)
(Clarice Lispector)
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
se aceitar
"Em minha casa reuni brinquedos pequenos e grandes, sem os quais não poderia viver. O menino que não brinca não é menino, mas o homem que não brinca perdeu para sempre o menino que vivia nele e que lhe fará muita falta."
(Pablo Neruda )
(Pablo Neruda )
Bem esquisito isso, que a gente está sujeito a se difundir e ir tão longe e que para isto seja suficiente a gente se dar. Sei lá. O legal é que a gente se torna livre e, do nada, lá está o tempo, intercedendo por nós. Eu queria compreender porque algumas decisões na vida são tão difíceis de serem tomadas. As palavras e pensamentos, tão completos que renunciam de ter bom senso. Mas tristes ficam. E bastante. Porque é tão complicado aceitar o risco, jogar todas as fichas no que se quer e acreditar e, daí por diante, encarar o que vier e lidar com as coisas conforme elas acontecem. Entoam e declaram e para que mais tenha que existir palavras e pensamentos tristes na vida? Será que tudo tem mesmo que ser tão analisado, pensado, medido e ponderado? Se alterarem alguma coisa, por minúscula que seja, enorme ganho. A vida não fica previsível e chata demais assim? Atos são atos, não importa o tamanho. A persistência, bem mais útil do que a velocidade. Ir ligeiro não é o mais útil. Mesmo porque desse jeito se deixa passar a paisagem durante a viagem. Será mesmo que o que a gente sente deve ser deixado de lado em função daquilo que é mais 'prático' ou mais 'racional'? Pegar o lugar à janela e admirar a vista agradável, permitir-se fantasiar e esquecer-se por entre as flores amarelas e azuis, tão azuis como você nunca havia pensado que realmente seriam. E o arco-íris. Sem pote de ouro, exposto para a mais imparcial admiração. Poxa, é de graça, aproveite! Desse jeito, como a vida faz-se grande, vezenquando.
Hoje me vi livre, liberta dessa alucinação maluca de desejar ter significado.
Hoje me vi livre, liberta dessa alucinação maluca de desejar ter significado.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
o que é necessário
"Um gesto qualquer para encher este momento. Um gesto ou uma palavra. Posso cantar, mas não vai adiantar nada. A voz é minha e me irrita, as palavras são de canções que já conheço, e me aborrecem. E gesto — só o de abrir um livro e ler, ou o de fechar este caderno. Falta, falta alguma coisa que não sei o que é."
(Caio Fernando Abreu)
(Caio Fernando Abreu)
Assinar:
Postagens (Atom)




