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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

medo de errar



"Comecei a me preparar, acendendo o incenso de sândalo, arrumando sobre a cama as almofadas lilases, apagando a luz do canto, acendendo a da cabeceira, mais íntima, sob o lenço abissínio, para que me encontrem em paz e sintam-se perfeitamente à vontade nesta nuvem roxa suspensa que habito e que chamo às vezes, irônica, de 'meu mundo'."

(Caio Fernando Abreu)


Tive uma sensação como se duas mãos me cobrissem os olhos de um jeito muito rápido, antes mesmo que eu tivesse a chance de questionar quem era e do nada, foi apenas a urgência de sair imediatamente de casa e correr pra rua, sem estar certa pra que ponto exatamente. Preciso começar de onde parei e começar está se tornando algo difícil. Bater porta sabendo que vai voltar, insultar sabendo que o outro vai desculpar, fazer bobagens que irão irritar por bastante tempo. Fazer amor prazeroso depois disso tudo. Novas situações, novos cenários, novos dialetos. Nova forma de ver o mundo com os mesmos olhos, mas com outra visão. É o que se espera, mas nem sempre o corpo acompanha. Tudo tem sido um aprendizado. Tudo tem sido uma só certeza. Tive um dejavu canalha. Coração na boca, uma saudade sem fim e vontade de colo. Uma cumplicidade assustadora. E ter medo é minha obrigação e meu talento. Aquele abraço capaz de segurar o mundo é como se fosse a última melhor lembrança que pudesse ter na vida. O resto é apenas dor de cabeça de uma noite mal dormida.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

quero meus dias no mundo





"Constituir um ser humano, um NÓS, é trabalho que não dá férias, nem concede descanso: haverá paredes frágeis, cálculos malfeitos, rachaduras. Mas se abrirão também janelas para o sol. O que se produzir - casa habitável ou ruína estéril - será a soma do que pensaram e pensamos de nós, do quanto nos amaram e nos amamos, do que fizeram pensar que valemos e do que fizemos para confirmar ou mudar isso."



(Lya Luft)


As coisas estariam bem mais fáceis se eu não te visse em cada detalhe desse recente passado.
E estariam bem mais fáceis ainda se não fosse só por sua causa que eu conduzo à força esse desmedido estudo, que comecei apenas pra te mostrar que eu tinha capacidade.
Tentei me esquivar de tudo que me interessava e assim eu pudesse continuar nesse mundinho de fantasias.

Não, eu não sou capaz.
Nem sou inteligente.
Nem sou mais seu motivo de apreço.
Mas sei que tenho potencial para ir muito além, afinal não preciso mais me esconder atrás de nada para obter a minha felicidade.

Gostaria de jamais ter me interessado pelos mesmos assuntos que você.
Eles nunca me pertenceram.
E se nesse momento eles aparentam ser inúteis e sem sucessão no meu mundo é porque meu valor por eles se desfez (do mesmo jeito como eu te vi desaparecendo).
Está sendo difícil e a tendência é piorar, mas sei que vou conseguir colocar na minha cabeça que posso ser feliz de outra forma.

E agora que você se foi de verdade, eu preciso me livrar dessa quimera.
Já que é um fardo enorme.
Não preciso sofrer para ficar bem em pequenas porções. Não preciso que outras pessoas sofram para que eu fique bem.

E esse peso tão constante até o fim e que o fim seja logo. É meu desejo para 2012.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

impiedade






Pegue este poema e beba dele uma amarga dose que entre vários suspiros e desgostos me fizeram recordar que um dia te amei. Mas o tempo é o grande rei, me fez ver com olhos sem vida um sentimento que se omitiu e agora te vejo longe daqui deixado entre incertezas, saudades e desenganos, cantando nos botecos o lamento dos homens esquecidos.


Escrito em 08 de setembro de 2011

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

?




Parece que eu sempre estava certa de quem eu era e o que eu precisava. Precisava viver. Muito frio na barriga quando as borboletas fazem festas; precisava ser feliz, como eu sempre costumava dizer quando estava de malas prontas para os dias mais ensolarados e coloridos do ano. Fácil, sou uma pessoa simples. Adoro rir, ler, tomar sorvete, praia. De alma antiga, gosto de saber de coisas que já perderam a sua importância, como aquele cheiro da naftalina. Traduzir-me. Contente, ou melhor: feliz. E, um dia, você. Fiquei ainda mais feliz, mas já não estou certa de várias coisas que tinha como seguras. Em algum ponto do caminho me perdi do porquê da caminhada. Já não estou muito certa de quem sou, a não ser quando estou certa de que sou quem te ama. Já não estou muito certa do que quero, a não ser do que inclua nós dois, dentaduras e cadeiras de balanço. Rendo-me. Revelo coisas divertidas sobre mim: que consigo ter esperanças, que choro de saudade, que sou ciumenta e grudo como um carrapato. Sem pensar muito a respeito, reduzo a marcha, paro sem aviso e sento-me à beira. E descubro coisas divertidas sobre mim que você me diz: que falo de um jeito elegante, que respeito seu espaço e tempo, que sou ciumenta e grudo como um carrapato. Talvez por isso tenha começado a caminhada. Do nada, já não estou tão velha, sinto ímpetos juvenis, adolescentes, decrépitos. Tenho gostado cada vez mais dos novos barulhos e trilhas sonoras dos meus dias. Não gosto de me afastar de você. Perco minhas novas alusões e já não posso me restringir às antigas. Novos sorrisos, elogios e motivos de felicidade, talvez instantânea, talvez duradoura. Gosto de ser quem sou quando estou com você. Gosto de quem você é quando está comigo. Arrepios pelo corpo, encontros inesperados e um único e mesmo desejo. Sinto-me feliz de estar certa de que amo um homem que é como é o pouco que seja por causa de mim. Estar junto, dar risada, bater papo, trocar ideia, falar sério e falar bobagem, apoiar e ser apoiada. Gosto e desejo ser a mulher que você gosta de amar. Desejo te encontrar.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

misturas efêmeras





Lá é impossível se perder. Lá as pessoas não te recebem sorrindo, nem as crianças te seguem em suas bicicletas, quando você chega na cidade. Vai saber por que.
Lá as ruas e as praças não são tão bonitas e você jamais achará uma pessoa no supermercado que te ajude a decidir entre um desinfetante de lavanda ou de jasmim e, nem mesmo, uma pessoa que te desenhe um criativo mapa completamente encantador dos lugares que você deve visitar. E de nenhum outro jeito.
Nada acontece lá. São os mesmos lugares, os mesmos rostos, o mesmo cheiro e o mesmo silêncio. Que não tem outro jeito.
Lá é o contrário daqueles locais onde tudo acontece. Ou acontece e eu é que desconheça.
Em lugares onde tudo acontece, nada dura. Ao som de ruídos e músicas estranhas, as coisas não permanecem. É sempre assim, sempre. Isto ou aquilo e nem sempre se pode ficar tranquilo. Difícil é encontrar um mesmo rosto, um mesmo cheiro. São sempre novas pessoas. Novos ares e aromas.
A constante mesmice me irrita. A constante mudança me cansa. Se é tudo ou nada, então estou cansada e irritada. Faço novas descobertas ao meu próprio respeito.
Foi desse jeito que aprendi a gostar das menores doses. Deixei de ser radical. Algumas confirmações. Novos riscos. Algumas boas surpresas.
Depois de bastante tempo cansada, eu vejo que, ficando exausta, eu tinha um lugar onde eu poderia descansar. E eu ficaria neste lugar até pouco antes de me irritar com a mesmice de lugares onde nada acontece. As chateações sairiam todas pela porta dos fundos. Depois eu retornaria para o caos e antes de cansar, voltaria para o silêncio. Antes de me irritar com o silêncio, eu retornaria para os rostos desconhecidos e os cheiros novos – lá eu permaneceria até pouco antes de cansar, pois depois eu voltaria para os antigos rostos e o velho conhecido cheiro do meu lugar. Enfim, absorvo apenas o que de melhor posso, embora acabo sempre por deixar escorrer entre os dedos algumas coisas, não é possível absorver tudo e também não é possível esquecer algumas coisas que me entristecem, que machucam.
O meu lugar é lá. E por mais que nada aconteça lá, eu sempre voltarei.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

"Gosto das tuas notícias e do teu feeling"




Mais que amar é te acordar com um beijo, ao som de Make you feel my love.
Não saber como lidar contigo. Não saber como dizer que te amo de uma maneira que não pareça completamente estúpida ou completamente fraca.
Dormir à tarde quando a gente sentir vontade.
Te beijar e depois te bater.
Devorar todas as empadas e colocar à mesa o desejo.
Dizer tantas coisas que te façam duvidar de qualquer um dos meus sentimentos.
Acordar na madrugada e te proteger do frio.
E mostrar durante o dia compartilhado o presente que é ficar ao teu lado.
Te querer por perto ou a uma distância segura.
É mais que amor.


terça-feira, 26 de julho de 2011

auto-sabotagem


☊ history 


"Quem pode explicar o que me acontece dentro? Eu tenho que responder às minhas próprias demências e tenho que ser discreta para me receber em confiança. E tenho que ser lógica para entender minha própria confusão. Ser ao mesmo tempo o veneno e o antídoto."

(Martha Medeiros)



Só existe chance de sentir a dor.
Ela e apenas ela, clara e limpa como um cristal.
Cruel, pulsante, torturante; somente a ela devo cobiçar.
Nela, a memória está presente, preenchendo um espaço infinito de lembranças daqueles que me deram paz em uma vida de guerra.


- Salve-me do peso de não existir. Proteja-me dessa tortura.


Seja grandioso em tua existência, frágil, discordante; corte minhas veias e deixe jorrar, diáfano, minha constante desordem.
Para que a escuridão do futuro não tenha importância, pois já tive tudo que poderia querer e querer mais seria apenas ganância.


- Minha fantasia de santificação e tormento! Se eu fechar meus olhos lentamente, sei que posso te sentir.


Sublimes os que te possuem como martírio.
Lembrei-me da solidão que tanto me avisaste.
Somente tu compreendes o meu viver.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

uma personagem sem nome




"Nunca esqueci a experiência de quando alguém botou a mão no meu ombro de criança e disse:
- Fica quietinha, um momento só, escuta a chuva chegando.
E ela chegou: intensa e lenta, tornando tudo singularmente novo. A quietude pode ser como essa chuva: nela a gente se refaz para voltar mais inteiro ao convívio, às tantas frases, às tarefas, aos amores. Então, por favor, me dêem isso: um pouco de silêncio bom para que eu escute o vento nas folhas, a chuva nas lajes, e tudo o que fala muito além das palavras de todos os textos e da música de todos os sentimentos. Silêncio faz pensar, remexe águas paradas, trazendo à tona sabe Deus que desconserto nosso. Com medo de ver quem - ou o que - somos, adia-se o defrontamento com nossa alma sem máscaras."


(Lya Luft)

Ela fez um pedido na noite passada, justamente quando uma estrela cadente decidiu passear. E olhem só: A certeza veio! Algo que a devolveu a vontade de ser humano. O céu jamais esteve tão repleto de estrelas. O céu a deu respostas e de lá saiu caminhando em nuvens. O céu conspirou em favor ao desejo da moça, pela primeira vez o céu fez um sinal positivo. Então foi assim. A moça foi depressa falar pra mãe sobre a maravilha que é a vida. E achando injusto o que tinha feito ao longo de toda vida, retirou da caixinha as estrelas que colecionava em segredo e as colocou por perto. Ela foi tudo o que se tornou. Em cada estrela, um amor em sua vida. Para que coloquem suas estrelas, para que recolham seus amores. Mas pra isso, é necessário acreditar! Acreditar nas estrelas e especialmente nos amores.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

complicated shadows


"A roda? Não sei se é você que escolhe, não. Olha bem pra mim - tenho cara de quem escolheu alguma coisa na vida? Quando dei por mim, todo mundo já tinha decorado a tal palavrinha-chave e tava a mil, seu lugarzinho seguro, rodando na roda. Menos eu, menos eu. Quem roda na roda fica contente. Quem não roda se fode. Que nem eu, você acha que eu pareço muito fodida? Um pouco eu sei que sim, mas fala a verdade: muito?"


(Caio Fernando Abreu)




Quem me dera viver nas nuvens. Porque é onde moram meus pensamentos. E a minha cabeça é aquela velha e cansada máquina que nunca sossega. E lá é mais perto de Deus. Tentar me deixar levar por um momento, como se nada fosse. Observar tudo do alto. Ver meus problemas menores. Alterar minha percepção de vida. Olhar o mundo pequeno. Meus temores tão notáveis quanto uma formiga. A visão otimizada e falsa de tal altitude. Numa altura onde até a minha saudade fique pequenina. Nada de interação ou questionamento, só aceitação. Ficaria maior. Enorme e superior. Como pode tanta coisa mudar, se ainda sinto o mesmo? Preciso manter o equilíbrio. Quero me harmonizar.

terça-feira, 12 de julho de 2011

fascismo emocional


☊ save you 



"Ele pintava no céu as cores de sua imaginação. Desenhava nuvens de chuva em espera, guardada para aqueles momentos mágicos de sorrisos que se tocam. Eles gostavam da chuva, de nuvens e cores e da felicidade boba feita de pequenos momentos eternos."

(Regis Falcão)



Por que depois de bastante tempo eu ainda quero uma pessoa bem parecida com você? Será querer demais? Uma pessoa que me faça sorrir até mesmo em momentos ruins. Que não ame o amor. Que me inspire desejos de fazer coisas que jamais tive coragem de fazer e me mostre novos jeitos de enfrentar a vida. Que me ache bonita, mesmo se eu estiver chorando. Que me leve aos lugares mais excitantes. Que me ofereça os sabores mais extravagantes, as vontades mais loucas. Que me coloque num pedestal e logo depois me tire, quando a gente brigar. Por que mesmo conhecendo todo seu pior lado, só penso no seu melhor lado? Porque você me viu como eu sou, gostou de mim pelo o que eu sou, não pelo papel que eu desempenhei na sua vida. Aquele colo tão confortável se despedaçou em várias histórias idealizadas. E nesse perfeito instante só não sou tão vazia, porque ainda me mantenho das sobras que vejo da sua vida. Mas, acima de tudo, enxergando isso. As fotos das suas viagens, suas novas companhias, seu novo estilo de cortar o cabelo. E te dizer que estou triste, estou com raiva, estou com um monte de coisa. Tudo, visivelmente tudo, exprime a sua felicidade que é compartilhada com outro alguém.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

minha ilha perdida


☊ use somebody

"Não tenha medo, menino. Você vai encontrar um jeito certo, embora não exista o jeito certo. Mas você vai encontrar o seu jeito, e é ele que importa. Se você souber segurar, pode até ser bonito."

(Caio Fernando Abreu)

Quando contei o que machucava, ele falou: "a gente vai ar um jeito". E não foram simples palavras. Pois a gente já passou por uma situação parecida nessa vida. E não está sendo mais fácil, mas dói parecido. Daí, você percebe que não está sozinha. E não é apenas de amor. De amor clichê. É sozinha, no mundo. É ver que no momento do desespero, ele vai te abraçar bem forte, segurar o seu rosto e olhar bem nos seus olhos pra falar que vai dar tudo certo. Afinal, qual é a graça de viver a vida se você não tiver com quem dividir? Mesmo que você perceba o chão se abrindo sob seus pés e o caos domine tudo ao seu redor. Passa a enxergar dentro da outra pessoa, descobrindo todos os pontos fracos sem fazer com que isso seja algo ruim. Tanto faz. Aquele abraço capaz de segurar o mundo é como se fosse a última melhor coisa que pudesse ter na vida. Ele não se deixa abalar. Não quando você precisa. Não vai te deixar desistir, nem cair. É onde você passa a confiar, apostar, acreditar e investir.

Pois há um companheirismo, uma cumplicidade, uma afinidade que não se destrói, apesar da distância, do tempo, dos contratempos do cotidiano. Nos segura, nos põe pra frente, nos deixa feliz por tão pouco. Certas coisas são, não estão. E é isso que estou falando. De infinitudes e certezas.
É vontade de estar ao lado um do outro o tempo todo pra não se perder nunca.


"Em decadência da minha mente, consumo contraditório, eu vejo que ainda sinto falta, vem me visitar e perturba meu sono, veja como está! (está bem, minha criança).
Da realidade a mentir pra si mesmo, alimentado por dois mundos tão diferentes e tão perto de serem perfeitos, eu me deixei ser julgado por não entender a origem do que eu poderia ter 'deixado acabar'.
Fantasias, você não me arrancará assim de você, chorará pelo que deixei em você - lembranças, amores, beijos, e uma vida acabada. Eu não quero me arrepender de nada, o fiz de certa forma e tenho que pagar; justa injustiça a meus planos quase fora da mesa.
Imaginário de tumulto, criando você em pedaços, divididos em corpos, a sua alma está em mim, o seu perfume. Os sons se tornam diferentes, pesados em noites não dormidas, as palavras continuam se repetindo...
Está tão longe, o mundo me parece menor, eu vejo por que não vivo mais, apenas os rostos, familiares pro mundo, diferentes demais pra cumprimentá-los.
Ao fim da tarde eu não posso temer nada, eu amo e acabo tudo, vidas...
Vagando longe daqui, mas eu ainda sinto sem poder querer que venham."

terça-feira, 10 de maio de 2011

"tudo está certo, no seu lugar..."



"Quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela,
uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas,
e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar,
para poder vê-las assim."

(Cecília Meireles)

Esta náusea retardante que me define, já não menciona mais meus ideais intransitáveis.
Esta tristeza maldita que desatende às minhas ideologias.
É claramente a utopia deste amor arrebatador. 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

sobre o interior transbordante



"Inventa a eternidade na simples comoção de olhar uma estrela. Basta que a olhes pela primeira vez, depois de a teres olhado inúmeras vezes. E, então, não precisarás de nenhum deus que te ponha a mão no ombro e diga estou aqui. Uma estrela espera-te desde toda a eternidade. Procura-a. E vê se a não perdes durante a vida inteira. A tua estrela pode não estar no céu. Põe-na lá."

(Vergílio Ferreira)

Talvez a palavra seja auto-sabotagem. É difícil manter aquela imagem que você já não acredita. É inacreditável como a gente, em muitas vezes, cria armadilhas pra si mesmo na vida. E o primeiro impulso é mesmo a vingança, seja mostrando que se está feliz da vida, seja fazendo pequenas maldades. Quando a gente se toca, geralmente, é tarde demais. E tudo desaba. E outra vez, um pouco da gente se apaga, perde o brilho. Ou melhor, morremos um pouco ou nos matamos um pouco. Outra vez. E isso só traz amargura.

Outra vez, a gente mesmo causa a nossa morte. Em partes. E é bobagem cometer os mesmos erros. Não consegue se libertar.

Me vejo em mais uma armadilha criada por mim mesma. De novo. Minha vida mudou tanto em tão pouco tempo, que sinto que perdi o jeito, o tom com algumas pessoas que eu gosto tanto.

E bate a saudade. Outra vez.