Mostrando postagens com marcador monstro do amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador monstro do amor. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

(...)



“Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.”

(Vinícius de Moraes)

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Tudo muda o tempo todo no mundo



"...tento fugir para longe e a cada noite, como uma criança temendo pecados, punições de anjos vingadores com espadas flamejantes, prometo a mim mesmo nunca mais ouvir, nunca mais ter a ti tão mentirosamente próximo, e escapo brusco para que percebas que mal suporto a tua presença, veneno veneno ..."

(Caio Fernando Abreu)

Um dia as coisas ficam pela estrada: roupas, camas, beijos, amassos.
O lugar-comum.
A estrada foi aumentando-se com o passar do tempo e aquelas coisas que pareciam infinitas tornaram-se ocultas.
Fraqueza.
Os chinelos esquecidos em lugares mais exclusos.
A dor, a intensidade e o fogo.
A boca suja de sangue nem encobre o batom cor de vinho.
E de nenhum outro jeito.
Não há mais indícios.
Sem vozes alheias nem julgamentos externos.O que restou foi um ar quieto e áspero; um nó na garganta e o beijo de outros tempos.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

medo de errar



"Comecei a me preparar, acendendo o incenso de sândalo, arrumando sobre a cama as almofadas lilases, apagando a luz do canto, acendendo a da cabeceira, mais íntima, sob o lenço abissínio, para que me encontrem em paz e sintam-se perfeitamente à vontade nesta nuvem roxa suspensa que habito e que chamo às vezes, irônica, de 'meu mundo'."

(Caio Fernando Abreu)


Tive uma sensação como se duas mãos me cobrissem os olhos de um jeito muito rápido, antes mesmo que eu tivesse a chance de questionar quem era e do nada, foi apenas a urgência de sair imediatamente de casa e correr pra rua, sem estar certa pra que ponto exatamente. Preciso começar de onde parei e começar está se tornando algo difícil. Bater porta sabendo que vai voltar, insultar sabendo que o outro vai desculpar, fazer bobagens que irão irritar por bastante tempo. Fazer amor prazeroso depois disso tudo. Novas situações, novos cenários, novos dialetos. Nova forma de ver o mundo com os mesmos olhos, mas com outra visão. É o que se espera, mas nem sempre o corpo acompanha. Tudo tem sido um aprendizado. Tudo tem sido uma só certeza. Tive um dejavu canalha. Coração na boca, uma saudade sem fim e vontade de colo. Uma cumplicidade assustadora. E ter medo é minha obrigação e meu talento. Aquele abraço capaz de segurar o mundo é como se fosse a última melhor lembrança que pudesse ter na vida. O resto é apenas dor de cabeça de uma noite mal dormida.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

quero meus dias no mundo





"Constituir um ser humano, um NÓS, é trabalho que não dá férias, nem concede descanso: haverá paredes frágeis, cálculos malfeitos, rachaduras. Mas se abrirão também janelas para o sol. O que se produzir - casa habitável ou ruína estéril - será a soma do que pensaram e pensamos de nós, do quanto nos amaram e nos amamos, do que fizeram pensar que valemos e do que fizemos para confirmar ou mudar isso."



(Lya Luft)


As coisas estariam bem mais fáceis se eu não te visse em cada detalhe desse recente passado.
E estariam bem mais fáceis ainda se não fosse só por sua causa que eu conduzo à força esse desmedido estudo, que comecei apenas pra te mostrar que eu tinha capacidade.
Tentei me esquivar de tudo que me interessava e assim eu pudesse continuar nesse mundinho de fantasias.

Não, eu não sou capaz.
Nem sou inteligente.
Nem sou mais seu motivo de apreço.
Mas sei que tenho potencial para ir muito além, afinal não preciso mais me esconder atrás de nada para obter a minha felicidade.

Gostaria de jamais ter me interessado pelos mesmos assuntos que você.
Eles nunca me pertenceram.
E se nesse momento eles aparentam ser inúteis e sem sucessão no meu mundo é porque meu valor por eles se desfez (do mesmo jeito como eu te vi desaparecendo).
Está sendo difícil e a tendência é piorar, mas sei que vou conseguir colocar na minha cabeça que posso ser feliz de outra forma.

E agora que você se foi de verdade, eu preciso me livrar dessa quimera.
Já que é um fardo enorme.
Não preciso sofrer para ficar bem em pequenas porções. Não preciso que outras pessoas sofram para que eu fique bem.

E esse peso tão constante até o fim e que o fim seja logo. É meu desejo para 2012.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

impiedade






Pegue este poema e beba dele uma amarga dose que entre vários suspiros e desgostos me fizeram recordar que um dia te amei. Mas o tempo é o grande rei, me fez ver com olhos sem vida um sentimento que se omitiu e agora te vejo longe daqui deixado entre incertezas, saudades e desenganos, cantando nos botecos o lamento dos homens esquecidos.


Escrito em 08 de setembro de 2011

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

?




Parece que eu sempre estava certa de quem eu era e o que eu precisava. Precisava viver. Muito frio na barriga quando as borboletas fazem festas; precisava ser feliz, como eu sempre costumava dizer quando estava de malas prontas para os dias mais ensolarados e coloridos do ano. Fácil, sou uma pessoa simples. Adoro rir, ler, tomar sorvete, praia. De alma antiga, gosto de saber de coisas que já perderam a sua importância, como aquele cheiro da naftalina. Traduzir-me. Contente, ou melhor: feliz. E, um dia, você. Fiquei ainda mais feliz, mas já não estou certa de várias coisas que tinha como seguras. Em algum ponto do caminho me perdi do porquê da caminhada. Já não estou muito certa de quem sou, a não ser quando estou certa de que sou quem te ama. Já não estou muito certa do que quero, a não ser do que inclua nós dois, dentaduras e cadeiras de balanço. Rendo-me. Revelo coisas divertidas sobre mim: que consigo ter esperanças, que choro de saudade, que sou ciumenta e grudo como um carrapato. Sem pensar muito a respeito, reduzo a marcha, paro sem aviso e sento-me à beira. E descubro coisas divertidas sobre mim que você me diz: que falo de um jeito elegante, que respeito seu espaço e tempo, que sou ciumenta e grudo como um carrapato. Talvez por isso tenha começado a caminhada. Do nada, já não estou tão velha, sinto ímpetos juvenis, adolescentes, decrépitos. Tenho gostado cada vez mais dos novos barulhos e trilhas sonoras dos meus dias. Não gosto de me afastar de você. Perco minhas novas alusões e já não posso me restringir às antigas. Novos sorrisos, elogios e motivos de felicidade, talvez instantânea, talvez duradoura. Gosto de ser quem sou quando estou com você. Gosto de quem você é quando está comigo. Arrepios pelo corpo, encontros inesperados e um único e mesmo desejo. Sinto-me feliz de estar certa de que amo um homem que é como é o pouco que seja por causa de mim. Estar junto, dar risada, bater papo, trocar ideia, falar sério e falar bobagem, apoiar e ser apoiada. Gosto e desejo ser a mulher que você gosta de amar. Desejo te encontrar.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

uma oração





Venha cá, meu menino, quero fazer com que essa dor seja curada com toneladas e toneladas desse amor que ainda tenho por ti.
Quero-te um bem enorme, quero-te forte e bem, pois você é alegria na vida das pessoas e, pessoas como você, devem ter um pouquinho de um presente especial reservado em algum lugar que ainda não sei qual é, mas que é bem bonito. E eu sei também que você tem uma estrela na cartola e consegue num piscar de olhos fazer a tristeza virar alegria e a fraqueza virar fortaleza. O bem e o amor tem que propagar, menino e vai ser por nossas mãos!
Menino, perdoe a minha falta, é que as coisas por aqui andam muito apavorante. Mas ando nos teus quintais, velando teus sonos durante as minhas madrugadas insones e sinto também, mesmo do lado de cá, como você não anda bem, que as dores também são muitas. Te quero todo inteiro pra eu poder ficar inteira também! Penso sempre em ti! E te desejo todo o bem com a mesma força que antes! 
Infelizmente, penso que o Senhor Caio F. Abreu não tinha razão quando disse que 'as dores são cada vez mais rapidamente superadas'. As dores são cada vez mais intensas e as covardias são tantas. Covardia afetiva, meu menino, eis a questão. As pessoas acham estranho se doar, acham estranho qualquer tipo de gostar. E optam pelo que é passageiro ao eterno e imutável. Eu, não! Insisto no que é belo, mesmo sabendo que ele nos machuca os olhos e a alma. Ai, menino, como você merece o melhor! E queria te abraçar e roubar toda essa dor pra mim, pra te ver de novo do jeito que gosto de te ver, cheio de vida.

Te deixo um sorriso, um afago e um beijo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

"Gosto das tuas notícias e do teu feeling"




Mais que amar é te acordar com um beijo, ao som de Make you feel my love.
Não saber como lidar contigo. Não saber como dizer que te amo de uma maneira que não pareça completamente estúpida ou completamente fraca.
Dormir à tarde quando a gente sentir vontade.
Te beijar e depois te bater.
Devorar todas as empadas e colocar à mesa o desejo.
Dizer tantas coisas que te façam duvidar de qualquer um dos meus sentimentos.
Acordar na madrugada e te proteger do frio.
E mostrar durante o dia compartilhado o presente que é ficar ao teu lado.
Te querer por perto ou a uma distância segura.
É mais que amor.


terça-feira, 26 de julho de 2011

auto-sabotagem


☊ history 


"Quem pode explicar o que me acontece dentro? Eu tenho que responder às minhas próprias demências e tenho que ser discreta para me receber em confiança. E tenho que ser lógica para entender minha própria confusão. Ser ao mesmo tempo o veneno e o antídoto."

(Martha Medeiros)



Só existe chance de sentir a dor.
Ela e apenas ela, clara e limpa como um cristal.
Cruel, pulsante, torturante; somente a ela devo cobiçar.
Nela, a memória está presente, preenchendo um espaço infinito de lembranças daqueles que me deram paz em uma vida de guerra.


- Salve-me do peso de não existir. Proteja-me dessa tortura.


Seja grandioso em tua existência, frágil, discordante; corte minhas veias e deixe jorrar, diáfano, minha constante desordem.
Para que a escuridão do futuro não tenha importância, pois já tive tudo que poderia querer e querer mais seria apenas ganância.


- Minha fantasia de santificação e tormento! Se eu fechar meus olhos lentamente, sei que posso te sentir.


Sublimes os que te possuem como martírio.
Lembrei-me da solidão que tanto me avisaste.
Somente tu compreendes o meu viver.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

uma personagem sem nome




"Nunca esqueci a experiência de quando alguém botou a mão no meu ombro de criança e disse:
- Fica quietinha, um momento só, escuta a chuva chegando.
E ela chegou: intensa e lenta, tornando tudo singularmente novo. A quietude pode ser como essa chuva: nela a gente se refaz para voltar mais inteiro ao convívio, às tantas frases, às tarefas, aos amores. Então, por favor, me dêem isso: um pouco de silêncio bom para que eu escute o vento nas folhas, a chuva nas lajes, e tudo o que fala muito além das palavras de todos os textos e da música de todos os sentimentos. Silêncio faz pensar, remexe águas paradas, trazendo à tona sabe Deus que desconserto nosso. Com medo de ver quem - ou o que - somos, adia-se o defrontamento com nossa alma sem máscaras."


(Lya Luft)

Ela fez um pedido na noite passada, justamente quando uma estrela cadente decidiu passear. E olhem só: A certeza veio! Algo que a devolveu a vontade de ser humano. O céu jamais esteve tão repleto de estrelas. O céu a deu respostas e de lá saiu caminhando em nuvens. O céu conspirou em favor ao desejo da moça, pela primeira vez o céu fez um sinal positivo. Então foi assim. A moça foi depressa falar pra mãe sobre a maravilha que é a vida. E achando injusto o que tinha feito ao longo de toda vida, retirou da caixinha as estrelas que colecionava em segredo e as colocou por perto. Ela foi tudo o que se tornou. Em cada estrela, um amor em sua vida. Para que coloquem suas estrelas, para que recolham seus amores. Mas pra isso, é necessário acreditar! Acreditar nas estrelas e especialmente nos amores.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

vespasiana


☊ give me a sign 


Mãos transpiram, olhos arregalados, coração acelerado, pernas agitadas, sensações de quem está apaixonado. Ou então está a ponto de um infarto. De qualquer modo aplica-se a um mal do coração. Como é chato não passar por nada disso. Não ter a quem amar, em quem ficar pensando durante os momentos de ócio do dia, com quem sonhar, para dedicar cada palavra mal rimada, como é ruim precisar conter todo o sentimento oculto em qualquer cantinho dessa vida quase desprezível que vivo. Não parece terrivelmente injusto? Empurrar pro cantinho pra não acabar dando a quem não é merecedor ou indo dissipá-lo todo com as ofensas e mágoas e lembranças ruins. Porque quando a gente ama, o passado fica muito longe e as possibilidades de futuro se apresentam como única forma de salvação. Não sei se fico mais fraca quando amo ou quando não amo. Às vezes me sinto tranquila, simulacro de um real coração, orgânico, só músculo a pulsar. Amar é benéfico mesmo quando dói? Existe curativo para um coração que teima em se machucar, mesmo sem ter motivo? Existe calma para um bater incessante de asas que seca a garganta? Existe remédio para ferimentos que não se curam apesar do tempo que passou? Existe remédio ou muletas para apenas existir? Existe solução para quem ama, mas está sempre só?

terça-feira, 12 de julho de 2011

fascismo emocional


☊ save you 



"Ele pintava no céu as cores de sua imaginação. Desenhava nuvens de chuva em espera, guardada para aqueles momentos mágicos de sorrisos que se tocam. Eles gostavam da chuva, de nuvens e cores e da felicidade boba feita de pequenos momentos eternos."

(Regis Falcão)



Por que depois de bastante tempo eu ainda quero uma pessoa bem parecida com você? Será querer demais? Uma pessoa que me faça sorrir até mesmo em momentos ruins. Que não ame o amor. Que me inspire desejos de fazer coisas que jamais tive coragem de fazer e me mostre novos jeitos de enfrentar a vida. Que me ache bonita, mesmo se eu estiver chorando. Que me leve aos lugares mais excitantes. Que me ofereça os sabores mais extravagantes, as vontades mais loucas. Que me coloque num pedestal e logo depois me tire, quando a gente brigar. Por que mesmo conhecendo todo seu pior lado, só penso no seu melhor lado? Porque você me viu como eu sou, gostou de mim pelo o que eu sou, não pelo papel que eu desempenhei na sua vida. Aquele colo tão confortável se despedaçou em várias histórias idealizadas. E nesse perfeito instante só não sou tão vazia, porque ainda me mantenho das sobras que vejo da sua vida. Mas, acima de tudo, enxergando isso. As fotos das suas viagens, suas novas companhias, seu novo estilo de cortar o cabelo. E te dizer que estou triste, estou com raiva, estou com um monte de coisa. Tudo, visivelmente tudo, exprime a sua felicidade que é compartilhada com outro alguém.

sábado, 9 de julho de 2011

"Apenas se ama, na tranquilidade de nada exigir em troca"


☊ love is noise 



"E gosto das tuas histórias. E gosto da tua pessoa. Dá um certo trabalho decodificar todas as emoções contraditórias, confusas, somá-las, diminuí-las e tirar essa síntese numa palavra só, esta: gosto."

(Caio Fernando Abreu)





O amado fragilizado, atirado sobre a cama, sonha com os olhos bem fechados.
Ele amava o lado obscuro dela, amava quando ela ficava brava, amava o que há de pior nela.
Não crê no fim da linha, não pode acreditar que tudo se desmanchou completamente.
Como dizer o que é preciso ser dito?
Apaixonados desde o primeiro momento - o dela.
Naquele tempo em que era tão bom não achar as respostas certas.
Cantarolava canções quando a levava ao trabalho.
Tinham sua falta de juízo, suas palavras, suas músicas e uma imaginação invejável.

Ah, querido, não permita que esses olhos fechados encerrem esse amor.
As centenas de caixas cheias de chocolate provam a grandeza dessa paixão: uma adolescência transparente.
Essa história está somente passando para a vida adulta.

domingo, 19 de junho de 2011

coração amarrado


☊ pulsos 

"E quando alguém, no plano real, toma forma, a gente imediatamente projeta toda aquela emoção presa na garganta do sonho. E fatalmente se fode, porque está tentando adequar/ajustar um arquétipo, uma imagem de toda a nossa infinita carência, nossa assustadora sede, a uma realidadezinha infinitamente inferior."


(Caio Fernando Abreu)                                                                                                 


Não me ponha limites, não estabeleça barreiras para mim. Não me faça desistir de sonhar.
Não sou nenhum tipo de matéria que você possa moldar; não procure mais me iludir com as coisas que eu queria ouvir. Não me faça fugir pra depois não tentar me segurar.
Não me ponha na postura de sedução, não tente aparentar ser inglês, não tente aparentar ser esmerado, não seja indiferente. Goste de mim mesmo quando não conseguir te fazer sorrir.
E por favor, deixe de ser essa pessoa insuportável que eu não tinha conhecido.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

que assim seja. ou não.


☊ mr rock and roll 


E enquanto o momento não se aproxima, enquanto ainda demora, discreto e suavemente (nós) fizemos nossos acasos e desses acasos nosso destino e desse destino a única coisa a que nos valemos (pois é apenas ele que nos mantém ligados). Talvez só exista com o simples ato de nos manter juntos.

E eu percebo, com o pouco de certeza que ainda tenho, que somos nós que colocamos os acasos a nosso favor.




quinta-feira, 16 de junho de 2011

o problema do outro


☊ i am only one 


"A gente nunca fica satisfeita com os desfechos de nossos relacionamentos: se não conseguimos esquecer alguém, sofremos. Se conseguimos, lamentamos o quão pueril tornou-se o passado. Senti uma fisgada hoje pela manhã que nada mais era do que a dor da perda, mas não a perda de uma pessoa, e sim de uma etapa vencida. Acho que agora compreendo quando, ao subir uma montanha muito íngreme, recomendam que a gente não olhe para baixo."


(Martha Medeiros)


Sou uma pessoa triste. Não sei se é mais belo ou mais verdadeiro assumir isto. Ah, não importa. Não penso que a tristeza me seja um peso, sou uma pessoa triste porque é constantemente bonito, constantemente doloroso e bem mais simples. Às vezes, passa tão despercebida por ser tão natural. A imaginação vem da nostalgia de quem já brilhou e perde o encanto. Mas confunde também. O romantismo vem de quem já amou e agora se lamenta. Como o encaixe perfeito. É! De que adiantaria um dispositivo ter aquilo que o outro precisa se eles não se moldam? Por mais que pense que não tenha vivido algum momento que possa falar com bastante certeza que tenha sido um momento de amor, por mais que saiba que vivi minha vida bem mais na cabeça de outras pessoas do que na minha mesmo, por mais que isto e por mais que aquilo, hoje eu posso dizer que estou desencantando e lamentando. Porque dei um tempo na minha vida pra observar a vida de outras pessoas, qualquer que seja e assim, percebi o romantismo delas e choro um lamento que não é o meu e também não é de alguém.

terça-feira, 14 de junho de 2011

desapego


☊ meu vício agora


Estou vendendo a preço promocional meus fantasmas, medos, devaneios, meus mais assombrosos segredos. Vendo minhas inseguranças, meus fracassos e pesadelos.
Tudo com um ótimo desconto pra apreciadores da dor alheia. Algo estúpido e irracional que contém peso demais.
Aceito trocas apenas com os mesmos valores. Não ofereço garantias e não aceito devoluções. Obrigada!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

arrepender-se


careful where you stand

"Na vocação para a vida está incluído o amor, inútil disfarçar, amamos a vida. E lutamos por ela dentro e fora de nós mesmos. Principalmente fora, que é preciso um peito de ferro para enfrentar essa luta na qual entra não só o fervor, mas uma certa dose de cólera, fervor e cólera. Não cortaremos os pulsos, ao contrário, costuraremos com linha dupla todas as feridas abertas."

(Lygia Fagundes Telles)

Já é noite e apenas o meu coração bate em ritmo acelerado ao som de Coldplay. A noite extremamente solitária e ainda nem passara das dez e tanto pra render. Careful where you stand tocou o dia todo dentro de mim, como uma oração, a última por aquele amor. A solidão me ataca de maneira poderosa. No entanto, lá no fundo, bem dentro de mim, sinto que nunca poderia ter uma existência diferente do que tenho, uma vez que as músicas que escuto fazem parte do meu próprio corpo, são eu mesma.
Queria algo qualquer que me ajudasse a dormir e fizesse pensar que vai dar tudo certo, da maneira que deve ser. Há quem diga que é melhor se arrepender de algo feito do que se arrepender por algo que você deixou de fazer. Por que ainda tenho dúvidas disto? Mas sinto medo, particularmente em situações estranhas como estas, onde apenas o meu coração bate acelerado, sem precisar dizer mais nada.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

minha ilha perdida


☊ use somebody

"Não tenha medo, menino. Você vai encontrar um jeito certo, embora não exista o jeito certo. Mas você vai encontrar o seu jeito, e é ele que importa. Se você souber segurar, pode até ser bonito."

(Caio Fernando Abreu)

Quando contei o que machucava, ele falou: "a gente vai ar um jeito". E não foram simples palavras. Pois a gente já passou por uma situação parecida nessa vida. E não está sendo mais fácil, mas dói parecido. Daí, você percebe que não está sozinha. E não é apenas de amor. De amor clichê. É sozinha, no mundo. É ver que no momento do desespero, ele vai te abraçar bem forte, segurar o seu rosto e olhar bem nos seus olhos pra falar que vai dar tudo certo. Afinal, qual é a graça de viver a vida se você não tiver com quem dividir? Mesmo que você perceba o chão se abrindo sob seus pés e o caos domine tudo ao seu redor. Passa a enxergar dentro da outra pessoa, descobrindo todos os pontos fracos sem fazer com que isso seja algo ruim. Tanto faz. Aquele abraço capaz de segurar o mundo é como se fosse a última melhor coisa que pudesse ter na vida. Ele não se deixa abalar. Não quando você precisa. Não vai te deixar desistir, nem cair. É onde você passa a confiar, apostar, acreditar e investir.

Pois há um companheirismo, uma cumplicidade, uma afinidade que não se destrói, apesar da distância, do tempo, dos contratempos do cotidiano. Nos segura, nos põe pra frente, nos deixa feliz por tão pouco. Certas coisas são, não estão. E é isso que estou falando. De infinitudes e certezas.
É vontade de estar ao lado um do outro o tempo todo pra não se perder nunca.


"Em decadência da minha mente, consumo contraditório, eu vejo que ainda sinto falta, vem me visitar e perturba meu sono, veja como está! (está bem, minha criança).
Da realidade a mentir pra si mesmo, alimentado por dois mundos tão diferentes e tão perto de serem perfeitos, eu me deixei ser julgado por não entender a origem do que eu poderia ter 'deixado acabar'.
Fantasias, você não me arrancará assim de você, chorará pelo que deixei em você - lembranças, amores, beijos, e uma vida acabada. Eu não quero me arrepender de nada, o fiz de certa forma e tenho que pagar; justa injustiça a meus planos quase fora da mesa.
Imaginário de tumulto, criando você em pedaços, divididos em corpos, a sua alma está em mim, o seu perfume. Os sons se tornam diferentes, pesados em noites não dormidas, as palavras continuam se repetindo...
Está tão longe, o mundo me parece menor, eu vejo por que não vivo mais, apenas os rostos, familiares pro mundo, diferentes demais pra cumprimentá-los.
Ao fim da tarde eu não posso temer nada, eu amo e acabo tudo, vidas...
Vagando longe daqui, mas eu ainda sinto sem poder querer que venham."

quinta-feira, 2 de junho de 2011

DeL


☊ o anjo mais velho

"O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranqüila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: "Se eu fosse você". A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção."

(Rubem Alves)

É muito bom quando nós nos surpreendemos de uma forma positiva com pessoas que menos esperamos. Pessoas que conhecemos e não botamos fé que irão se tornar grandes amigos, aí de repente a identificação é intensa que mesmo com tantas diferenças, acabamos parecendo amigos de infância. Novos sorrisos, elogios e motivos de felicidade, talvez instantânea, talvez duradoura.

Eu tive dois amigos assim: universos, idade, gostos musicais, vida pessoal, histórias de vidas completamente diferentes da minha e uma imensa e verdadeira relação de amizade. Adorava escutar os conselhos deles, via as opiniões de outro ângulo, de um jeito que eu nunca havia imaginado. Era uma rede de amizade e carinho que fazia com que as coisas ruins ficassem um pouco mais leves e as boas melhores ainda.

Tê-los ao meu lado era maravilhoso, podíamos rir, bater papo, trocar ideia, falar sério e falar besteira, dar aquele abraço quando um não estava se sentindo bem ou até mesmo ganhar aquele velho puxão de orelha, mas era de preocupação – sempre achei que foram as pessoas que mais se preocupavam comigo.

Era uma deliciosa troca. Em meio a diversas coisas que passava diariamente, poder contar com pessoas assim era um divino presente.

Meu estado atual de espírito não tem ajudado muito e não ter vocês por perto ajuda muito menos.