Acho que uma das coisas mais
difíceis na vida é entender que o fim pode representar de alguma forma um
recomeço, uma renascença. A única coisa “ruim” disso são as análises que
começamos a fazer sobre a própria vida. Recentemente tenho pensado muito nisso
e percebo ciclos se fechando, pois a vida deseja que seja desse jeito. E nesses
momentos não adianta insistir, bater pé, desejar tentar mais uma vez. “Engole o
choro!” Essa é a frase que mais falo para mim ultimamente. Apenas nos resta aceitar
e notar que alguma coisa nova começa ali e que é necessário ter esperança. Não
que isso seja simples. Prometo que se for sempre assim, nunca mais reclamo por
não dormir. Mesmo que doa um montão assim.
"E re… nasceria, depois. Em cada amanhecer, renovada e sempre a mesma, endurecida em sua natureza."
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Sem saída
"Eu sei como é se sentir extremamente pequena e insignificante e como isso dói em lugares que você nem sabia que tinha em você. E não importa quantos cortes de cabelo você faça, quantas vezes vá a academia ou quantas garrafas você toma com suas amigas, você continua indo pra cama todas as noites… repassando todos os detalhes e se perguntando o que fez de errado ou como pôde ter entendido errado... ou como por aquele momento pensou que era feliz."
(Filme: O Amor não tira férias)
Tem
momentos que nada está bem, me mexo na cama como se fosse um bife na
frigideira, mas parece que jamais me sinto satisfeita. Perdida em algum ponto
entre a certeza e o abismo. Possivelmente aquele vestido que hoje me vestia muito
bem, amanhã me fará parecer gorda, ou então aqueles sapatos que quando comprei
foram, na minha opinião, uma boa aquisição e hoje estão no armário cobertos de
poeira e acumulando mofo. Assim, simplesmente.
Minha
vida anda do mesmo jeito... me perdendo do por que da caminhada.
Como
se minha alma não quisesse mais permanecer no meu corpo, como se ela tivesse
vontade de sair para algum lugar, aborrecida por ter de ficar aqui neste lugar.
Se ao menos não fosse tão limitada como é. Para ela, algo não caminha bem, mas
ela teima em permanecer em silêncio e só se agitar dentro de mim como pipocas
estourando numa panela. Esse inferno a embota.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
desesperança e solidão
"Valsando
como valsa uma criança, que entra na roda.... A noite tá no fim
Ela
valsando, só na madrugada, se julgando amada ao som dos Bandolins...
Ela
teimou... e enfrentou o mundo, se rodopiando ao som dos bandolins..."
(Oswaldo
Montenegro)
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
medo de errar
"Comecei a me preparar, acendendo o
incenso de sândalo, arrumando sobre a cama as almofadas lilases, apagando a luz
do canto, acendendo a da cabeceira, mais íntima, sob o lenço abissínio, para
que me encontrem em paz e sintam-se perfeitamente à vontade nesta nuvem roxa
suspensa que habito e que chamo às vezes, irônica, de 'meu
mundo'."
(Caio Fernando Abreu)
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
(a)fundo
"Minha
lâmpada de cabeceira está estragada. Não sei o que é, não entendo dessas
coisas. Ela acende e, sem a gente esperar, apaga. Depois acende de novo, para
em seguida tornar a apagar. Me sinto igual a ela: também só acendo de vez em
quando, sem ninguém esperar, sem motivo aparente. Para a lâmpada pode-se chamar
um eletricista. Ele dará um jeito, mexerá nos fios e em breve ela voltará a ser
normal, previsível. Mas e eu? Quem desvendará meu interior para consertar meus
defeitos?"
(Caio Fernando Abreu)
O "pouco" sempre me
preocupou. Pode até parecer pretensioso da minha parte, mas eu não trocaria nenhum
ponto na minha maneira de ver a vida. Eu sempre fui assim, bicho complexo e
cheio de reentrâncias.
Quando falo da palavra
“pouco”, não me refiro aos bens materiais ou façanhas que estão longe do meu
próprio desejo, mas a comportamentos que felizmente não estão em liquidação e apenas
acontecem mediante a minha vontade. Nunca me permiti viver as coisas na
superfície, a passeio.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
?
Parece que eu sempre estava certa de quem eu era e o que eu precisava. Precisava viver. Muito frio na barriga quando as borboletas fazem festas; precisava ser feliz, como eu sempre costumava dizer quando estava de malas prontas para os dias mais ensolarados e coloridos do ano. Fácil, sou uma pessoa simples. Adoro rir, ler, tomar sorvete, praia. De alma antiga, gosto de saber de coisas que já perderam a sua importância, como aquele cheiro da naftalina. Traduzir-me. Contente, ou melhor: feliz. E, um dia, você. Fiquei ainda mais feliz, mas já não estou certa de várias coisas que tinha como seguras. Em algum ponto do caminho me perdi do porquê da caminhada. Já não estou muito certa de quem sou, a não ser quando estou certa de que sou quem te ama. Já não estou muito certa do que quero, a não ser do que inclua nós dois, dentaduras e cadeiras de balanço. Rendo-me. Revelo coisas divertidas sobre mim: que consigo ter esperanças, que choro de saudade, que sou ciumenta e grudo como um carrapato. Sem pensar muito a respeito, reduzo a marcha, paro sem aviso e sento-me à beira. E descubro coisas divertidas sobre mim que você me diz: que falo de um jeito elegante, que respeito seu espaço e tempo, que sou ciumenta e grudo como um carrapato. Talvez por isso tenha começado a caminhada. Do nada, já não estou tão velha, sinto ímpetos juvenis, adolescentes, decrépitos. Tenho gostado cada vez mais dos novos barulhos e trilhas sonoras dos meus dias. Não gosto de me afastar de você. Perco minhas novas alusões e já não posso me restringir às antigas. Novos sorrisos, elogios e motivos de felicidade, talvez instantânea, talvez duradoura. Gosto de ser quem sou quando estou com você. Gosto de quem você é quando está comigo. Arrepios pelo corpo, encontros inesperados e um único e mesmo desejo. Sinto-me feliz de estar certa de que amo um homem que é como é o pouco que seja por causa de mim. Estar junto, dar risada, bater papo, trocar ideia, falar sério e falar bobagem, apoiar e ser apoiada. Gosto e desejo ser a mulher que você gosta de amar. Desejo te encontrar.
domingo, 21 de agosto de 2011
Essa forte doçura
Quando escuto aquele célebre clichê que atinge a vida como um filme de sessão da tarde com alguma lição de moral, invariavelmente minha mente cria outro raciocínio. Olho quase sem querer pra frente, num desses gestos ínfimos que são capazes de mudar a vida de qualquer pessoa de pouca fé. Vejo uma pessoa digna de todo crédito como um confronto entre nossa vida e um livro biográfico. Nesses momentos, penso em Godard pra delírio dos mais piedosos e decadentes leitores. À proporção que se ganha experiência, este trabalho difícil de ser compreendido, segue-se enriquecendo de palavras ilusórias, de fatos transformados em verbos. Mesmo com a rotina impondo encontros diários entre personagens. Contudo, a cada novo dia, um novo capítulo é acrescentado a esta obra. Este excelente trabalho, todavia, não admite ser editado. E a vida continua, sem sentido algum. Não permite que seja modificada ou revisada. E só. Terminando-se o total de páginas escritas, cada obra tem seu tempo entre o começo e o fim, vai como achar às prateleiras, onde é examinada pelos consumidores. Essa doçura forte. Se parecer aprazível, com frases e tempos decorridos sobre uma vida completa, enérgica e aproveitável, muita gente compra e lê. Se for desagradável, não tendo algo que incremente o próprio livro daquele que lê, as traças se tornam suas companheiras inseparáveis. Eu passei um certo tempo achando que tinha que mudar tudo no meu livro, deixar de ser tudo o que sou, pra poder ser forte – e mais do que isso, para poder provar aos outros a minha força. Na minha passagem por este mundo, tenho esperanças de poder escrever muita coisa que desperte interesses. Compreendo a marcha e vou tocando a frente, como diria o cantor. Meu livro, aspiração, deixando a modéstia de lado, que seja repleto de excertos de impacto, os quais suponho que deem ao futuro leitor aprendizado útil. Um caminho imenso, que é meu e não precisa ser mudado. Ainda estou no início, óbvio, mas já percorri vários livros, em várias estantes. E há outros tantos ainda a serem escritos. E vejo, também, que, infelizmente, há alguns livros que jamais serão vendidos, pelo mero fato de neles consistirem somente páginas em branco.
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