quinta-feira, 28 de julho de 2011

encontre-me no caminho


☊ light me up 



"Eu gosto de viver. Já me senti ferozmente, desesperadamente, agudamente infeliz, dilacerada pelo sofrimento, mas através de tudo ainda sei, com absoluta certeza, que estar viva é sensacional."

(Agatha Christie)



Sorte a minha que conheço pessoas que evitam a mesmice e desafiam a vida, as crenças, os medos e excedem o limite do divino. A isso eu nomeio como coragem e é a respeito dessas coisas que eu desejo modelar o meu caminho. Vou devagar, olhando por todos os lados. Ousadia. 

terça-feira, 26 de julho de 2011

auto-sabotagem


☊ history 


"Quem pode explicar o que me acontece dentro? Eu tenho que responder às minhas próprias demências e tenho que ser discreta para me receber em confiança. E tenho que ser lógica para entender minha própria confusão. Ser ao mesmo tempo o veneno e o antídoto."

(Martha Medeiros)



Só existe chance de sentir a dor.
Ela e apenas ela, clara e limpa como um cristal.
Cruel, pulsante, torturante; somente a ela devo cobiçar.
Nela, a memória está presente, preenchendo um espaço infinito de lembranças daqueles que me deram paz em uma vida de guerra.


- Salve-me do peso de não existir. Proteja-me dessa tortura.


Seja grandioso em tua existência, frágil, discordante; corte minhas veias e deixe jorrar, diáfano, minha constante desordem.
Para que a escuridão do futuro não tenha importância, pois já tive tudo que poderia querer e querer mais seria apenas ganância.


- Minha fantasia de santificação e tormento! Se eu fechar meus olhos lentamente, sei que posso te sentir.


Sublimes os que te possuem como martírio.
Lembrei-me da solidão que tanto me avisaste.
Somente tu compreendes o meu viver.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

uma personagem sem nome




"Nunca esqueci a experiência de quando alguém botou a mão no meu ombro de criança e disse:
- Fica quietinha, um momento só, escuta a chuva chegando.
E ela chegou: intensa e lenta, tornando tudo singularmente novo. A quietude pode ser como essa chuva: nela a gente se refaz para voltar mais inteiro ao convívio, às tantas frases, às tarefas, aos amores. Então, por favor, me dêem isso: um pouco de silêncio bom para que eu escute o vento nas folhas, a chuva nas lajes, e tudo o que fala muito além das palavras de todos os textos e da música de todos os sentimentos. Silêncio faz pensar, remexe águas paradas, trazendo à tona sabe Deus que desconserto nosso. Com medo de ver quem - ou o que - somos, adia-se o defrontamento com nossa alma sem máscaras."


(Lya Luft)

Ela fez um pedido na noite passada, justamente quando uma estrela cadente decidiu passear. E olhem só: A certeza veio! Algo que a devolveu a vontade de ser humano. O céu jamais esteve tão repleto de estrelas. O céu a deu respostas e de lá saiu caminhando em nuvens. O céu conspirou em favor ao desejo da moça, pela primeira vez o céu fez um sinal positivo. Então foi assim. A moça foi depressa falar pra mãe sobre a maravilha que é a vida. E achando injusto o que tinha feito ao longo de toda vida, retirou da caixinha as estrelas que colecionava em segredo e as colocou por perto. Ela foi tudo o que se tornou. Em cada estrela, um amor em sua vida. Para que coloquem suas estrelas, para que recolham seus amores. Mas pra isso, é necessário acreditar! Acreditar nas estrelas e especialmente nos amores.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

vespasiana


☊ give me a sign 


Mãos transpiram, olhos arregalados, coração acelerado, pernas agitadas, sensações de quem está apaixonado. Ou então está a ponto de um infarto. De qualquer modo aplica-se a um mal do coração. Como é chato não passar por nada disso. Não ter a quem amar, em quem ficar pensando durante os momentos de ócio do dia, com quem sonhar, para dedicar cada palavra mal rimada, como é ruim precisar conter todo o sentimento oculto em qualquer cantinho dessa vida quase desprezível que vivo. Não parece terrivelmente injusto? Empurrar pro cantinho pra não acabar dando a quem não é merecedor ou indo dissipá-lo todo com as ofensas e mágoas e lembranças ruins. Porque quando a gente ama, o passado fica muito longe e as possibilidades de futuro se apresentam como única forma de salvação. Não sei se fico mais fraca quando amo ou quando não amo. Às vezes me sinto tranquila, simulacro de um real coração, orgânico, só músculo a pulsar. Amar é benéfico mesmo quando dói? Existe curativo para um coração que teima em se machucar, mesmo sem ter motivo? Existe calma para um bater incessante de asas que seca a garganta? Existe remédio para ferimentos que não se curam apesar do tempo que passou? Existe remédio ou muletas para apenas existir? Existe solução para quem ama, mas está sempre só?

quarta-feira, 13 de julho de 2011

complicated shadows


"A roda? Não sei se é você que escolhe, não. Olha bem pra mim - tenho cara de quem escolheu alguma coisa na vida? Quando dei por mim, todo mundo já tinha decorado a tal palavrinha-chave e tava a mil, seu lugarzinho seguro, rodando na roda. Menos eu, menos eu. Quem roda na roda fica contente. Quem não roda se fode. Que nem eu, você acha que eu pareço muito fodida? Um pouco eu sei que sim, mas fala a verdade: muito?"


(Caio Fernando Abreu)




Quem me dera viver nas nuvens. Porque é onde moram meus pensamentos. E a minha cabeça é aquela velha e cansada máquina que nunca sossega. E lá é mais perto de Deus. Tentar me deixar levar por um momento, como se nada fosse. Observar tudo do alto. Ver meus problemas menores. Alterar minha percepção de vida. Olhar o mundo pequeno. Meus temores tão notáveis quanto uma formiga. A visão otimizada e falsa de tal altitude. Numa altura onde até a minha saudade fique pequenina. Nada de interação ou questionamento, só aceitação. Ficaria maior. Enorme e superior. Como pode tanta coisa mudar, se ainda sinto o mesmo? Preciso manter o equilíbrio. Quero me harmonizar.

terça-feira, 12 de julho de 2011

fascismo emocional


☊ save you 



"Ele pintava no céu as cores de sua imaginação. Desenhava nuvens de chuva em espera, guardada para aqueles momentos mágicos de sorrisos que se tocam. Eles gostavam da chuva, de nuvens e cores e da felicidade boba feita de pequenos momentos eternos."

(Regis Falcão)



Por que depois de bastante tempo eu ainda quero uma pessoa bem parecida com você? Será querer demais? Uma pessoa que me faça sorrir até mesmo em momentos ruins. Que não ame o amor. Que me inspire desejos de fazer coisas que jamais tive coragem de fazer e me mostre novos jeitos de enfrentar a vida. Que me ache bonita, mesmo se eu estiver chorando. Que me leve aos lugares mais excitantes. Que me ofereça os sabores mais extravagantes, as vontades mais loucas. Que me coloque num pedestal e logo depois me tire, quando a gente brigar. Por que mesmo conhecendo todo seu pior lado, só penso no seu melhor lado? Porque você me viu como eu sou, gostou de mim pelo o que eu sou, não pelo papel que eu desempenhei na sua vida. Aquele colo tão confortável se despedaçou em várias histórias idealizadas. E nesse perfeito instante só não sou tão vazia, porque ainda me mantenho das sobras que vejo da sua vida. Mas, acima de tudo, enxergando isso. As fotos das suas viagens, suas novas companhias, seu novo estilo de cortar o cabelo. E te dizer que estou triste, estou com raiva, estou com um monte de coisa. Tudo, visivelmente tudo, exprime a sua felicidade que é compartilhada com outro alguém.

sábado, 9 de julho de 2011

"Apenas se ama, na tranquilidade de nada exigir em troca"


☊ love is noise 



"E gosto das tuas histórias. E gosto da tua pessoa. Dá um certo trabalho decodificar todas as emoções contraditórias, confusas, somá-las, diminuí-las e tirar essa síntese numa palavra só, esta: gosto."

(Caio Fernando Abreu)





O amado fragilizado, atirado sobre a cama, sonha com os olhos bem fechados.
Ele amava o lado obscuro dela, amava quando ela ficava brava, amava o que há de pior nela.
Não crê no fim da linha, não pode acreditar que tudo se desmanchou completamente.
Como dizer o que é preciso ser dito?
Apaixonados desde o primeiro momento - o dela.
Naquele tempo em que era tão bom não achar as respostas certas.
Cantarolava canções quando a levava ao trabalho.
Tinham sua falta de juízo, suas palavras, suas músicas e uma imaginação invejável.

Ah, querido, não permita que esses olhos fechados encerrem esse amor.
As centenas de caixas cheias de chocolate provam a grandeza dessa paixão: uma adolescência transparente.
Essa história está somente passando para a vida adulta.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

algo a mais


☊ mesmo sozinho 



Ontem eu sai na chuva.

Senti-me como provavelmente se sentiu Colombo ao descobrir a América – apesar de eu ter quase certeza que ele não sabia que tinha descoberto um continente desse tamanho.
Há bastante tempo que eu não fazia alguma coisa que me deixasse inocentemente feliz: tomar chuva.
Por isso, há beleza na solidão.
Apesar do frio e do vento congelante, lavei um pouco a minha alma.
Não podia continuar só a encenar a gloriosa felicidade.


Senti como se cada gota que caia fosse cada afeto que se dissipava.
Foram 15 minutos.
Ensopada; naquela tarde solitária.
Eram pensamentos que viraram ações.
Com minha alma fria; senti tocar cada pingo da chuva gelada.
Era felicidade sem razão.


Ontem eu sai na chuva.
Com a razão evaporada.
Com a alma lavada e fria.

terça-feira, 5 de julho de 2011

os detalhes que atentam



Nasci numa primavera. Foram 13 horas até conseguir chegar ao mundo. Ganhei alguns presentes, mas o que eu mais gostei foi uma boneca de pano com os cabelos vermelhos, dada pelo meu avô, esta boneca ainda existe. Quando fiz 4 anos, ganhei outro presente do meu avô, um balanço sob uma mangueira que ficava no quintal de casa, lá era meu refúgio. Era onde brincava por horas com minha boneca de pano, chamada Beatriz. Sempre tive os cabelos curtos, até começar a escolher minhas roupas e meu corte de cabelo. Cresci. A casa começou a ficar pequena, mas um dia ficou grande de novo. Sofria muito por me questionarem por pensar demais, por me trancar no meu mundinho particular, mas eu não achava/acho isto errado.
Adoro uvas. Preciso vestir diariamente roupas escuras, apesar de gostar de roupas claras. Tenho preguiça de usar batom. Tem dias que só quero ficar na cama, ouvindo músicas. Filosofia, poesias, Carpinejar, Caio Fernando Abreu e Nietzsche. Uma coberta com 20 anos. Papéis, canetas, cartas. Distraio-me pegando uma rua qualquer. Andando consigo ter minhas melhores ideias e sempre acho que devo comprar um gravador. Curto, choro, vivo. Adoro ficar sozinha, mas tenho medo de ficar sozinha pra sempre. Suco de laranja. Empadão de frango. Aprendi a ter paciência. Fobia à aves, mas gosto de comer carne de aves. Adoro o sol e de olhar as estrelas à noite. Rock alternativo. Cerveja e cigarros. Batata frita. Olhar o pôr do sol. Tatuagens. Eternal Sunshine of the Spotless Mind e Elizabethtown. Coldplay. Massagem, carinho e ócio. Parede riscada. Inglês. Pará. Castanhal. O cheiro da primeira vez, perfumes, maquiagem, roupas novas, planos, viagens, romance, conquista, sedução, entrega, verdade. Bar do meio. Café com polenta da mamãe. Manter todas as coisas perto pra não esquecer quem sou.

segunda-feira, 4 de julho de 2011


☊ the drugs don't work


"Querido,
Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis. E não quero revivê-los. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que me parece ser o melhor a se fazer. Você me deu muitas possibilidades de ser feliz. Você esteve presente como nenhum outro. Não creio que duas pessoas possam ser felizes convivendo com esta doença terrível. Não posso mais lutar. Sei que estarei tirando um peso de suas costas, pois, sem mim, você poderá trabalhar. E você vai, eu sei. Você vê, não consigo sequer escrever. Nem ler. Enfim, o que quero dizer é que é a você que eu devo toda minha felicidade. Você foi bom para mim, como ninguém poderia ter sido. Eu queria dizer isto – todos sabem. Se alguém pudesse me salvar, este alguém seria você. Tudo se foi para mim mas o que ficará é a certeza da sua bondade, sem igual. Não posso atrapalhar sua vida. Não mais. Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos.V."



(Virginia Woolf)