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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

uma oração





Venha cá, meu menino, quero fazer com que essa dor seja curada com toneladas e toneladas desse amor que ainda tenho por ti.
Quero-te um bem enorme, quero-te forte e bem, pois você é alegria na vida das pessoas e, pessoas como você, devem ter um pouquinho de um presente especial reservado em algum lugar que ainda não sei qual é, mas que é bem bonito. E eu sei também que você tem uma estrela na cartola e consegue num piscar de olhos fazer a tristeza virar alegria e a fraqueza virar fortaleza. O bem e o amor tem que propagar, menino e vai ser por nossas mãos!
Menino, perdoe a minha falta, é que as coisas por aqui andam muito apavorante. Mas ando nos teus quintais, velando teus sonos durante as minhas madrugadas insones e sinto também, mesmo do lado de cá, como você não anda bem, que as dores também são muitas. Te quero todo inteiro pra eu poder ficar inteira também! Penso sempre em ti! E te desejo todo o bem com a mesma força que antes! 
Infelizmente, penso que o Senhor Caio F. Abreu não tinha razão quando disse que 'as dores são cada vez mais rapidamente superadas'. As dores são cada vez mais intensas e as covardias são tantas. Covardia afetiva, meu menino, eis a questão. As pessoas acham estranho se doar, acham estranho qualquer tipo de gostar. E optam pelo que é passageiro ao eterno e imutável. Eu, não! Insisto no que é belo, mesmo sabendo que ele nos machuca os olhos e a alma. Ai, menino, como você merece o melhor! E queria te abraçar e roubar toda essa dor pra mim, pra te ver de novo do jeito que gosto de te ver, cheio de vida.

Te deixo um sorriso, um afago e um beijo.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

o problema do outro


☊ i am only one 


"A gente nunca fica satisfeita com os desfechos de nossos relacionamentos: se não conseguimos esquecer alguém, sofremos. Se conseguimos, lamentamos o quão pueril tornou-se o passado. Senti uma fisgada hoje pela manhã que nada mais era do que a dor da perda, mas não a perda de uma pessoa, e sim de uma etapa vencida. Acho que agora compreendo quando, ao subir uma montanha muito íngreme, recomendam que a gente não olhe para baixo."


(Martha Medeiros)


Sou uma pessoa triste. Não sei se é mais belo ou mais verdadeiro assumir isto. Ah, não importa. Não penso que a tristeza me seja um peso, sou uma pessoa triste porque é constantemente bonito, constantemente doloroso e bem mais simples. Às vezes, passa tão despercebida por ser tão natural. A imaginação vem da nostalgia de quem já brilhou e perde o encanto. Mas confunde também. O romantismo vem de quem já amou e agora se lamenta. Como o encaixe perfeito. É! De que adiantaria um dispositivo ter aquilo que o outro precisa se eles não se moldam? Por mais que pense que não tenha vivido algum momento que possa falar com bastante certeza que tenha sido um momento de amor, por mais que saiba que vivi minha vida bem mais na cabeça de outras pessoas do que na minha mesmo, por mais que isto e por mais que aquilo, hoje eu posso dizer que estou desencantando e lamentando. Porque dei um tempo na minha vida pra observar a vida de outras pessoas, qualquer que seja e assim, percebi o romantismo delas e choro um lamento que não é o meu e também não é de alguém.

terça-feira, 26 de abril de 2011

calendário


☊ sleep well, my angel

"Esse menino muito bonito parou diante de mim e, numa mistura de carinho, grossura, brincadeira e sensualidade, cobriu meus cabelos, de confete: por um instante ficamos nos defrontando, sorrindo sem falar, e eu então, mulherzinha de 8 anos, considerei pelo resto da noite (e da vida) que enfim alguém havia me reconhecido: eu era sim uma rosa."

(Clarice Lispector)

- Sento, encosto a cabeça e me esqueço.
- E depois, o que acontece?
- Fico ouvindo o mundo bem longe. Se eu fechar meus olhos lentamente, sei que consigo sentir de novo.
- Onde termina?
- Bem ali. Onde o sol se esconde. Fico aqui pensando em coisas que passaram... Consegue ver?
- Estou vendo. Eu gosto de pensar em coisas práticas. O sol adormece?
- Sim. A noite aquece. E eu tento não me importar muito com as coisas que sinto.
- Jura?
- O quê?
- Que daqui vou ouvir o mundo?

domingo, 6 de fevereiro de 2011

acendendo estrelas


 
"Os caminhos estão descansando."

(Mario Quintana)
 

Que os dias sejam a mais pra que eu possa voltar inteira, sem culpa alguma por ter sido fraca de novo.  
Como sempre costumava ouvir: para cada porta aberta, uma nova vida; para cada lágrima, uma estrela nova no céu. Enquanto isso, os caminhos realmente estão descansando.