"Que esta minha paz e este meu amado silêncio.
Não iludam a ninguém.
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta.
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios.
Acho-me relativamente feliz...
Porque nada de exterior me acontece…
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!"
(Mario Quintana)
Um dia nós nos conhecemos. Era poesia a cada momento, em todas as esquinas do cotidiano.
Foi uma coisa muito intensa. Um negócio de força maior. Tipo da coisa que só se sabe quando se vive.
Eu precisava das palavras dele, da racionalidade, do sentimento que ele tinha por mim. Compreendi a magia harmônica da vida, o sentido oculto de existir e ser humano, a beleza do amor que tanto se dá.
Ele precisava de mim. Precisava da minha alegria e falta de preocupação com tudo. Porque a gente foi mudando, foi crescendo, foi deixando de querer algumas coisas e passando a querer outras.
Era como um equilíbrio e a origem de tudo era uma paixão maior do mundo. Maior. Maior que qualquer discórdia familiar, dinheiro, ciúmes, inveja, distância ou lugar. Fomos deixando de lado uma porção de conceitos e verdades absolutas e aos poucos acabamos descobrindo o que era importante. A gente se precisava como remédio, como curativo.
No fim das contas, um dia me sentei sozinha, no escuro, no fim do dia que eu mais precisei dele e me senti perdida. Mas um dia eu curei.
Sai da cama, pude caminhar descalça pelo chão gelado, prender o cabelo e rir alto, sem controle. Sem vozes alheias nem julgamentos externos.
A garganta já não doía. O que é importante ali, eu comigo mesma.
Nada mais doía como antes. Porque eu acho mesmo que a grande verdade, a única absoluta da vida, é a inconstância.
A gangorra caiu e eu fui arremessada para o céu, quase atingindo as estrelas e voltei para a terra, me pondo em equilíbrio.
Pra não sofrer, o diminui em apenas uma letra; a letra inicial do seu nome. Mas o que não sabia é que desse jeito o deixava maior, a ponto de merecer suas palavras. E que assim seja.
Voltei a ser o que eu jamais fui.
"Num sentido de sorte, as palavras fluem e prefiro apostar numa roleta qualquer em Vegas ou numa cidade fluoretada... assim quis ser sem querer ter o que ofusca a tal razão escondida em 'qualquer lugar, com qualquer um, fazendo qualquer coisa.'"