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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Cortesia




E quando começou, ninguém se importava... Pela primeira vez acreditamos em destino, afinal, foi o que nos uniu.
Nós não costumamos mesmo a nos importar. Mas é que sempre esquecem de avisar que o não desejar pode também transformar-se em desejo... E esquecem que nós esquecemos. E nós esquecemos... Mas é porque nós nunca sabemos do significado que os desejos virão a ter... O destino é só um e representa o mundo todo. Deve ser por isso que ele não se importa com a distância, fazendo sangrar os que não estão perto um do outro.
Apenas começa a se importar, quando deixamos de ter valor... A alguma coisa, a alguém... Há alguma coisa, há alguém... Mas vontade é algo que não se altera... Porque ela altera tudo pra você, em você... E não adianta alterar. Se não adianta, se adianta... Contemplando a força do silêncio contido.
Então, apareceu o desejo... Dos desejos, o mais importante era o AMOR, desse jeito, em caixa alta... A vontade de gritar sentimentos engasgados.
"As vontades têm a força de mil asas." Mas de vez em quando as asas se partem... E amor não é pleno... Pleno para remendar... Remendar e embelezar os adornos da vida.
Nós representamos, embelezamos, adornamos... E dançamos! Com ou sem um parceiro. Nem importa tanto... E se desejar, posso esperar... Mas não a vida inteira... Uma vida é bastante tempo. E nosso tempo está se esgotando... Mas se você falar que vem, eu espero.
Ansiedade destrói. Mas nós esperamos... Esperamos que surja... Alguma coisa para sobreviver... Alguma coisa para amar... Alguma coisa para lembrar!
É importante ter lembranças, por mais que estejam sem cor... Mas se você vem tudo se torna colorido. Arco íris... E a vida volta a ganhar cor... Volta a ter vida... Depois de você... Antes de você.
Pessoas... Plenas para alterar roteiros... Você!
O que parecia correto, não parece mais... O que parecia errado tornou-se correto.
Erro, acerto... Ninguém mais se importou... Ninguém mais se importará! Mas focalizo no bom da vida. E o empoeirado passa a ter uma cara nova... Reforma!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

tudo parece certo...





É nervoso que se entra no mar pela primeira vez. É com receio. É com aquele incômodo leve que é quase incontrolável, que se entra prendendo a respiração, no mar. São pequenas coisas como essa que fazem essa vida maluca acabar, no final das contas, valendo a pena. Sem entender as inocentes sensações. Pela  inesquecível e assustadora  primeira vez. E, se nós formos pessoas de sorte, vai ser desse jeito, sempre.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

dança comigo




"Leve o tempo que precisar para sarar, mas não esqueça de um dia compartilhar o seu coração com outra pessoa."

(Elizabeth Gilbert em: Comer, Rezar, Amar)

domingo, 10 de abril de 2011

me encontre



"Então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo - o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto."

(Antônio Prata)

E então a vida segue o seu caminho.
E nuvens já não são mais sinônimo de melancolia.
O tempo passa.
Firme como rocha, estável.
Flores se escondem para brotarem na próxima estação.
Solidão, frieza, covardia e medo.
A pureza da criança é espalhada;
Enquanto isso o velho pensa que não viu aqueles anos correrem.
Da grandeza dos pequenos gestos.
Em um dia a tristeza se aloja por dentro. Eia. No dia seguinte o sol derrama pelo horizonte.
Não morreu, no entanto.
Anda pelas folhinhas do calendário, insaciável por um momento de descanso imaginário.
A vida fica pequena se você não tem com quem dividir as suas besteiras.
Comemora teu aniversário. Carnaval. O Natal. Deveria comemorar o tempo todo.
Mas não era o tempo certo. Não existe lugar nem hora certa para dizer adeus.
Os ônibus podem ser lentos. Vazios ou cheios.
A parte mais interessante é aguardar por eles na parada. Sempre.
Os nossos caminhos se cruzam. E o teu corta com o dele e o dela.
Mas poucos de nós chegam ao fim da linha.
Pode-se constatar que os diferentes tons de adeus realmente significam algo;
Que na despedida pode-se prever a finitude dos encontros.
Aparecem outros tempos. Outras épocas. Novas cenas.
Além disso, o personagem serve-se do mesmo figurino.
O beijo de despedida não parece nem o ensaio do primeiro.
Alguém desfaz um sonho teu. Que outrem pode lhe restituir.
Quatro e meia, seis e quarenta e cinco, nove e cinquenta e seis, onze e vinte, meia noite
Ponteiros andam depressa. O dia surge tantas outras vezes. As águas é que não retornam mais.
Se fosse sol, se fosse rosa, se fosse inverno, se fosse outra?
Enquanto vê o que está acontecendo no mundo. E às vezes seu gesto é tão tênue que se coloca em esquecimento.
Mas eis que está.
E então a vida segue o seu caminho.
Existem pessoas fadadas a transformar o amor em algo belo por seus atos, por sua reciprocidade e delícia de tardes de sol e corpos nus.
Para a nossa sorte. Sempre.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

extremos da paixão




"Chovia, chovia, chovia e eu ia indo por dentro da chuva ao encontro dele, sem guarda-chuva nem nada, eu sempre perdia todos pelos bares, só levava uma garrafa de conhaque barato apertada contra o peito, parece falso dito desse jeito, mas bem assim eu ia pelo meio da chuva, uma garrafa de conhaque na mão e um maço de cigarros molhados no bolso."

(Caio Fernando Abreu)

Proferi lentamente as letras do seu nome, um sorriso se alastrava pelo meu rosto, desmanchando-se em um delicado som doce, atirado para as nuvens que me observavam vistosamente.
Eram várias as vezes que deparara com tal situação.
Era simples te achar, mesmo que sua ausência fosse desmedida eu conseguia tocá-lo em meus devaneios.
O coração é algo engraçado, não é?
Sim. O céu sorria em minha direção, talvez eu conseguisse chegar até ele se todo esse encanto conseguisse me fazer flutuar.
Nem sei expressar com palavras o que estou sentindo, talvez elas não bastem, pois sempre existe algo que não consigo dizer.
Procurei não saber da sua existência em meus pensamentos, mas o desejo de senti-lo perto abarcava qualquer lugar na minha mente.
Está tudo tão confuso que nem sei o que pensar. Na verdade eu sei.
Fecho os olhos e consigo fantasiar, idealizo sua boca e desvendo seu gosto de uísque e licor.
Bem intenso às minhas lembranças, me embriago desse sabor que me atravessa rapidamente a alma.
É tão forte e tão suave esse teu beijo.
Até quando ficarei sem teu carinho, sem poder sentir suas mãos?
Me esqueço em meus devaneios e sei que não sou tua.
Sinto seu cheiro ao me abraçar, suas mãos quentes me tocando.
Possuo você por completo, aqui dentro de mim.
Sua pele roçando na minha, seus dedos deslizando no meu corpo, sua boca beijando meus lábios.
Imagino as palpitações do seu coração tão desproporcionais junto ao meu.
Minhas mãos percorrendo seu corpo, deslizando em cada centímetro teu.
Seu fôlego arranca-me o ar.
Nossos corpos se enlaçando, saciando nosso desejo.
O seu perfume ocupa todas as moléculas de minha pele.
Injustiças.
Satisfaz-me um beijo seu, satisfaz-me um som doce.
Coisa de cheiro, pele e química.
Um suave sabor de chocolate e laranja, que permanece grudado em mim.
Compatibilidade.
Eu necessito ficar envolvida em seus braços para me permanecer completa.
E quando a sua voz chega aos meus ouvidos eu vou até o céu.
Como o encaixe perfeito.
Eu escuto suas risadas, percebo o seu sabor descansando em minha boca, consumindo lágrimas, restaurando esperanças.
Você não chegou a conhecer algumas das minhas alegrias mais inocentes.
Eu sonho acordada pra me guiar até você.
Sonhos não deveriam estar ao alcance de todos.
Estendo meu corpo sob a chuva.
”Por que chove tanto e você não vem?”
Faço rabiscos de um pôr do sol entre nuvens de algodão, desprezo o vento...
E furto teu coração.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

de repente, tudo muda



"Não sei explicar. Essa coisa nova dentro de mim me dá assim como uma espécie de... como era mesmo aquela coisa antiga que a gente sentia quando acreditava em alguma coisa?
— Fé? Meu Deus, você está sentindo fé?
— Pode ser. Fé. E isso ai".

(Caio Fernando Abreu)


Completa. É assim que hoje me julgo. De súbito, assim como quem de repente se dá conta da sorte que tem, agradeci. Repleta de vida, como se uma brisa de existência tivesse ventado bem forte aqui dentro. A cada dia me aproximando mais de tudo aquilo que posso e desejo ser.
Feliz. É assim que hoje me retiro.