quarta-feira, 26 de outubro de 2011

(a)fundo





"Minha lâmpada de cabeceira está estragada. Não sei o que é, não entendo dessas coisas. Ela acende e, sem a gente esperar, apaga. Depois acende de novo, para em seguida tornar a apagar. Me sinto igual a ela: também só acendo de vez em quando, sem ninguém esperar, sem motivo aparente. Para a lâmpada pode-se chamar um eletricista. Ele dará um jeito, mexerá nos fios e em breve ela voltará a ser normal, previsível. Mas e eu? Quem desvendará meu interior para consertar meus defeitos?"


(Caio Fernando Abreu)

O "pouco" sempre me preocupou. Pode até parecer pretensioso da minha parte, mas eu não trocaria nenhum ponto na minha maneira de ver a vida. Eu sempre fui assim, bicho complexo e cheio de reentrâncias.

Quando falo da palavra “pouco”, não me refiro aos bens materiais ou façanhas que estão longe do meu próprio desejo, mas a comportamentos que felizmente não estão em liquidação e apenas acontecem mediante a minha vontade. Nunca me permiti viver as coisas na superfície, a passeio.

Não pretendo inventar explicações pra todos os meus atos, desejo a solução para conseguir o que busco.


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

impiedade






Pegue este poema e beba dele uma amarga dose que entre vários suspiros e desgostos me fizeram recordar que um dia te amei. Mas o tempo é o grande rei, me fez ver com olhos sem vida um sentimento que se omitiu e agora te vejo longe daqui deixado entre incertezas, saudades e desenganos, cantando nos botecos o lamento dos homens esquecidos.


Escrito em 08 de setembro de 2011