"Constituir
um ser humano, um NÓS, é trabalho que não dá férias, nem concede descanso:
haverá paredes frágeis, cálculos malfeitos, rachaduras. Mas se abrirão
também janelas para o sol. O que se produzir - casa habitável ou ruína estéril - será a
soma do que pensaram e pensamos de nós, do quanto nos amaram e nos amamos, do
que fizeram pensar que valemos e do que fizemos para confirmar ou mudar
isso."
(Lya Luft)
As coisas estariam bem mais fáceis se eu não
te visse em cada detalhe desse recente passado.
E estariam bem mais fáceis ainda se não fosse
só por sua causa que eu conduzo à força esse desmedido estudo, que comecei apenas
pra te mostrar que eu tinha capacidade.
Tentei me esquivar de tudo que me interessava
e assim eu pudesse continuar nesse mundinho de fantasias.
Não, eu não sou capaz.
Nem sou inteligente.
Nem sou mais seu motivo de apreço.
Mas sei que tenho potencial para ir muito
além, afinal não preciso mais me esconder atrás de nada para obter a minha
felicidade.
Gostaria de jamais ter me interessado pelos mesmos
assuntos que você.
Eles nunca me pertenceram.
E se nesse momento eles aparentam ser inúteis
e sem sucessão no meu mundo é porque meu valor por eles se desfez (do mesmo
jeito como eu te vi desaparecendo).
Está sendo difícil e a tendência é piorar,
mas sei que vou conseguir colocar na minha cabeça que posso ser feliz de outra
forma.
E agora que você se foi de verdade, eu
preciso me livrar dessa quimera.
Já que é um fardo enorme.
Não preciso sofrer para ficar bem em pequenas
porções. Não preciso que outras pessoas sofram para que eu fique bem.

