quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

quero meus dias no mundo





"Constituir um ser humano, um NÓS, é trabalho que não dá férias, nem concede descanso: haverá paredes frágeis, cálculos malfeitos, rachaduras. Mas se abrirão também janelas para o sol. O que se produzir - casa habitável ou ruína estéril - será a soma do que pensaram e pensamos de nós, do quanto nos amaram e nos amamos, do que fizeram pensar que valemos e do que fizemos para confirmar ou mudar isso."



(Lya Luft)


As coisas estariam bem mais fáceis se eu não te visse em cada detalhe desse recente passado.
E estariam bem mais fáceis ainda se não fosse só por sua causa que eu conduzo à força esse desmedido estudo, que comecei apenas pra te mostrar que eu tinha capacidade.
Tentei me esquivar de tudo que me interessava e assim eu pudesse continuar nesse mundinho de fantasias.

Não, eu não sou capaz.
Nem sou inteligente.
Nem sou mais seu motivo de apreço.
Mas sei que tenho potencial para ir muito além, afinal não preciso mais me esconder atrás de nada para obter a minha felicidade.

Gostaria de jamais ter me interessado pelos mesmos assuntos que você.
Eles nunca me pertenceram.
E se nesse momento eles aparentam ser inúteis e sem sucessão no meu mundo é porque meu valor por eles se desfez (do mesmo jeito como eu te vi desaparecendo).
Está sendo difícil e a tendência é piorar, mas sei que vou conseguir colocar na minha cabeça que posso ser feliz de outra forma.

E agora que você se foi de verdade, eu preciso me livrar dessa quimera.
Já que é um fardo enorme.
Não preciso sofrer para ficar bem em pequenas porções. Não preciso que outras pessoas sofram para que eu fique bem.

E esse peso tão constante até o fim e que o fim seja logo. É meu desejo para 2012.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Amanhã e depois e depois e depois e...





"Não separe com tanta precisão os heróis dos vilões, cada qual de um lado, tudo muito bonitinho como nas experiências de química. Não há gente completamente boa nem gente completamente má, está tudo misturado e a separação é impossível. O mal está no próprio gênero humano, ninguém presta. Às vezes a gente melhora. Mas passa... E que interessa o castigo ou o prêmio?... Tudo muda tanto que a pessoa que pecou na véspera já não é a mesma a ser punida no dia seguinte."



(Lygia Fagundes Telles)



Mas se é desse jeito, o que você pensa em fazer? Me esconder em filmes antigos, em conversas antigas e uma dúzia de clichés. Sim. Tem mesmo aqueles dias em que saber e não poder ignorar me dói tanto que só eu sei. Conhecer o próprio erro e ter a lenta convicção de que é muito complicado mudar. Complicado, mas fundamental. Engraçado, sei exatamente o que devo fazer. Exatamente. Isso consegue me deixar eufórica às vezes, porém não me afasta da minha apatia, at all. Que já dizia Clarice, não entender é vasto, e viver ultrapassa todo entendimento. Falam bastante em mudanças, será que quando elas se mostram todos de fato conseguem fazê-las acontecer? Ou permanecem tranquilos, se perguntando se é isso realmente? Ou se disfarçam, felizes, no que restou do modo de viver de antes? O que fazem com as cicatrizes de outras pessoas?

O que elas, todas essas pessoas, fazem?