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quinta-feira, 14 de abril de 2011

aquela vontade de voltar


☊ soul to squeeze

"A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma."

(Lewis Carroll)

Era como se houvessem me acertado um soco no estômago. Não existia remédio que curasse essa dor. Tudo iria desmoronar em cima do meu corpo frágil e o chão se romperia e me sugaria por completa. Me peguei me torturando de novo. Mas só vi que era tortura quando voltei ao presente, durante a maior parte do tempo foi uma espécie de saudade. Em alguns segundos eu seria rebaixada à nada. Mas tive o impulso de abaixar a cabeça e o sangue voltou aos vasos e veias. E por fim, pude me sentir aliviada.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

não quero mais a realidade comum



Seja bem vindo à época de 'jamais aposte muito em alguma coisa que não lhe é proveitosa'; hoje vivemos a era das quimeras, do amor nosso de cada fim de semana, da falta de esperança das pessoas. Amores são sempre possíveis, sim.
É fato que o universo é justamente em torno do umbigo de cada um, que vive
do seu jeito e desempenha aquilo que é melhor para si.
Mas enfim, pra que imaginar em causar alguma coisa pra alguém?
Pra que é favorável ou foi favorável o favor? A alternância? Nessas noites sem álcool, os dias ficam muito mais estranhos de se entender.
Sendo agora mais específica...
Vejo com admiração minha falta de capacidade. A minha teimosia em ser aprazível, em ser prudente, em ser boba, desagradável, insignificante. Porque o que sinto hoje me é esquisito e não me cabe, já não escrevo; vomito palavras que ardem para sair.
Procurar ver o que várias pessoas não veem, procurar satisfazer uma coisa que não me satisfaz. Nesses dias sem álcool, conclusões me transtornam a cabeça, meus textos me destroem involuntariamente, insignificantemente a linearidade do cotidiano.
Ainda que pra alguns seja complicado ceder, eu acendo gentileza, trago a felicidade e aproveito a vagabundagem da melancolia... como um último cigarro.  

"Porque o que presta também não presta. Além do mais, o que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto do modo carinhoso do inacabado, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão."

(Clarice Lispector)