domingo, 5 de fevereiro de 2012

desesperança e solidão



"Valsando como valsa uma criança, que entra na roda.... A noite tá no fim
Ela valsando, só na madrugada, se julgando amada ao som dos Bandolins...
Ela teimou... e enfrentou o mundo, se rodopiando ao som dos bandolins..."

(Oswaldo Montenegro)

Preencho meu olhar com coisas tão artificiais, que por pouco não as vejo. E quando chega a noite, o sossego, a calma, a escuridão, é que vejo melhor. A mudança está acontecendo – como sempre acontece – aos poucos. Ao som do sono tranquilo da família, ao som da casa adormecida por inteira, no sossego dos sonhos, é que eu posso enxergar. Começou sutil e terminará avassaladora. O dia imenso, transparente, evidente, turbulento, me ilude. As coisas diminutas que vejo durante o dia me iludem. Nada mais. O extraordinário e belo eu consigo ver à noite, quando não existe nada mais para ser visto. Foram-se os sonhos, ficaram as dores. Meus olhos, bastante preenchidos com as insignificantes coisas, já estão quase desvanecidos.