"Valsando
como valsa uma criança, que entra na roda.... A noite tá no fim
Ela
valsando, só na madrugada, se julgando amada ao som dos Bandolins...
Ela
teimou... e enfrentou o mundo, se rodopiando ao som dos bandolins..."
(Oswaldo
Montenegro)
Preencho meu olhar com coisas tão artificiais,
que por pouco não as vejo. E quando chega a noite, o sossego, a calma, a
escuridão, é que vejo melhor. A mudança está acontecendo – como sempre acontece
– aos poucos. Ao som do sono tranquilo da família, ao som da casa adormecida por
inteira, no sossego dos sonhos, é que eu posso enxergar. Começou sutil e
terminará avassaladora. O dia imenso, transparente, evidente, turbulento, me ilude.
As coisas diminutas que vejo durante o dia me iludem. Nada mais. O extraordinário
e belo eu consigo ver à noite, quando não existe nada mais para ser visto. Foram-se
os sonhos, ficaram as dores. Meus olhos, bastante preenchidos com as insignificantes
coisas, já estão quase desvanecidos.