Lá é impossível se perder. Lá as pessoas não te recebem sorrindo, nem as crianças te seguem em suas bicicletas, quando você chega na cidade. Vai saber por que.
Lá as ruas e as praças não são tão bonitas e você jamais achará uma pessoa no supermercado que te ajude a decidir entre um desinfetante de lavanda ou de jasmim e, nem mesmo, uma pessoa que te desenhe um criativo mapa completamente encantador dos lugares que você deve visitar. E de nenhum outro jeito.
Nada acontece lá. São os mesmos lugares, os mesmos rostos, o mesmo cheiro e o mesmo silêncio. Que não tem outro jeito.
Lá é o contrário daqueles locais onde tudo acontece. Ou acontece e eu é que desconheça.
Em lugares onde tudo acontece, nada dura. Ao som de ruídos e músicas estranhas, as coisas não permanecem. É sempre assim, sempre. Isto ou aquilo e nem sempre se pode ficar tranquilo. Difícil é encontrar um mesmo rosto, um mesmo cheiro. São sempre novas pessoas. Novos ares e aromas.
A constante mesmice me irrita. A constante mudança me cansa. Se é tudo ou nada, então estou cansada e irritada. Faço novas descobertas ao meu próprio respeito.
Foi desse jeito que aprendi a gostar das menores doses. Deixei de ser radical. Algumas confirmações. Novos riscos. Algumas boas surpresas.
Depois de bastante tempo cansada, eu vejo que, ficando exausta, eu tinha um lugar onde eu poderia descansar. E eu ficaria neste lugar até pouco antes de me irritar com a mesmice de lugares onde nada acontece. As chateações sairiam todas pela porta dos fundos. Depois eu retornaria para o caos e antes de cansar, voltaria para o silêncio. Antes de me irritar com o silêncio, eu retornaria para os rostos desconhecidos e os cheiros novos – lá eu permaneceria até pouco antes de cansar, pois depois eu voltaria para os antigos rostos e o velho conhecido cheiro do meu lugar. Enfim, absorvo apenas o que de melhor posso, embora acabo sempre por deixar escorrer entre os dedos algumas coisas, não é possível absorver tudo e também não é possível esquecer algumas coisas que me entristecem, que machucam.
O meu lugar é lá. E por mais que nada aconteça lá, eu sempre voltarei.
A constante mesmice me irrita. A constante mudança me cansa. Se é tudo ou nada, então estou cansada e irritada. Faço novas descobertas ao meu próprio respeito.
Foi desse jeito que aprendi a gostar das menores doses. Deixei de ser radical. Algumas confirmações. Novos riscos. Algumas boas surpresas.
Depois de bastante tempo cansada, eu vejo que, ficando exausta, eu tinha um lugar onde eu poderia descansar. E eu ficaria neste lugar até pouco antes de me irritar com a mesmice de lugares onde nada acontece. As chateações sairiam todas pela porta dos fundos. Depois eu retornaria para o caos e antes de cansar, voltaria para o silêncio. Antes de me irritar com o silêncio, eu retornaria para os rostos desconhecidos e os cheiros novos – lá eu permaneceria até pouco antes de cansar, pois depois eu voltaria para os antigos rostos e o velho conhecido cheiro do meu lugar. Enfim, absorvo apenas o que de melhor posso, embora acabo sempre por deixar escorrer entre os dedos algumas coisas, não é possível absorver tudo e também não é possível esquecer algumas coisas que me entristecem, que machucam.

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