"Não
separe com tanta precisão os heróis dos vilões, cada qual de um lado, tudo
muito bonitinho como nas experiências de química. Não há gente completamente
boa nem gente completamente má, está tudo misturado e a separação é impossível.
O mal está no próprio gênero humano, ninguém presta. Às vezes a gente melhora.
Mas passa... E que interessa o castigo ou o prêmio?... Tudo muda tanto que a pessoa que pecou na
véspera já não é a mesma a ser punida no dia seguinte."
(Lygia Fagundes
Telles)
Mas se é desse jeito, o que você pensa em fazer? Me esconder em filmes antigos, em conversas antigas e uma dúzia de clichés. Sim. Tem mesmo aqueles dias em que saber e não poder ignorar me dói tanto que só eu sei. Conhecer o próprio erro e ter a lenta convicção de que é muito complicado mudar. Complicado, mas fundamental. Engraçado, sei exatamente o que devo fazer. Exatamente. Isso consegue me deixar eufórica às vezes, porém não me afasta da minha apatia, at all. Que já dizia Clarice, não entender é vasto, e viver ultrapassa todo entendimento. Falam bastante em mudanças, será que quando elas se mostram todos de fato conseguem fazê-las acontecer? Ou permanecem tranquilos, se perguntando se é isso realmente? Ou se disfarçam, felizes, no que restou do modo de viver de antes? O que fazem com as cicatrizes de outras pessoas?
O que elas, todas essas pessoas, fazem?

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