domingo, 10 de abril de 2011

me encontre



"Então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo - o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto."

(Antônio Prata)

E então a vida segue o seu caminho.
E nuvens já não são mais sinônimo de melancolia.
O tempo passa.
Firme como rocha, estável.
Flores se escondem para brotarem na próxima estação.
Solidão, frieza, covardia e medo.
A pureza da criança é espalhada;
Enquanto isso o velho pensa que não viu aqueles anos correrem.
Da grandeza dos pequenos gestos.
Em um dia a tristeza se aloja por dentro. Eia. No dia seguinte o sol derrama pelo horizonte.
Não morreu, no entanto.
Anda pelas folhinhas do calendário, insaciável por um momento de descanso imaginário.
A vida fica pequena se você não tem com quem dividir as suas besteiras.
Comemora teu aniversário. Carnaval. O Natal. Deveria comemorar o tempo todo.
Mas não era o tempo certo. Não existe lugar nem hora certa para dizer adeus.
Os ônibus podem ser lentos. Vazios ou cheios.
A parte mais interessante é aguardar por eles na parada. Sempre.
Os nossos caminhos se cruzam. E o teu corta com o dele e o dela.
Mas poucos de nós chegam ao fim da linha.
Pode-se constatar que os diferentes tons de adeus realmente significam algo;
Que na despedida pode-se prever a finitude dos encontros.
Aparecem outros tempos. Outras épocas. Novas cenas.
Além disso, o personagem serve-se do mesmo figurino.
O beijo de despedida não parece nem o ensaio do primeiro.
Alguém desfaz um sonho teu. Que outrem pode lhe restituir.
Quatro e meia, seis e quarenta e cinco, nove e cinquenta e seis, onze e vinte, meia noite
Ponteiros andam depressa. O dia surge tantas outras vezes. As águas é que não retornam mais.
Se fosse sol, se fosse rosa, se fosse inverno, se fosse outra?
Enquanto vê o que está acontecendo no mundo. E às vezes seu gesto é tão tênue que se coloca em esquecimento.
Mas eis que está.
E então a vida segue o seu caminho.
Existem pessoas fadadas a transformar o amor em algo belo por seus atos, por sua reciprocidade e delícia de tardes de sol e corpos nus.
Para a nossa sorte. Sempre.

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