quarta-feira, 15 de junho de 2011

(des)conforto


☊ something special

Olha para si e para seu corpo ileso. Acostumar-se com sua magreza não a tornava mais agradável.
Menina ainda, com discretas curvas admiráveis e finos traços. E lá se vinham os sonhos molhados, planos no varal e o coração atirado na lama.
A infância vai embora. Numa noite de verão, onde achou tudo muito quente. Os azulejos e a branquidão do quarto contradiziam os sons e barulhos que ouvia por todos os lados.
Chegou a uma pré formação de um corpo juvenil. Sem boas-vindas.
Com a mente e o coração fraco, ela ainda fazia tranças em suas ruivas bonecas. Sentia que iria explodir em prantos a qualquer momento, mas não conseguia.
Diante do espelho, frágeis olhos se abriam para o despertar volúpio; para o corpo despido e banhado de suor, para a astúcia recém-chegada. Finalmente, sentia o ar que necessitava inflar-lhe os pulmões.
Carne, mãos, toques, conhecimento. Curiosidade cresce tanto...
As mãos de delicados contornos, percorriam pela lingerie clara e um tanto atraente, conhecendo cada curva, cada detalhe, a transpiração, o trajeto; tudo estava tão confuso quem sabia o que pensar.
Mas a verdade é que a menina deixara de ser menina. Está na hora de alguém lhe ensinar as coisas, porque está cansada de ter que aprender tudo sozinha.
Uma nova mulher surge para o mundo.

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