segunda-feira, 6 de junho de 2011

você acha que eu não sei?


☊ mr. brightside

"Parece-me agora, tanto tempo depois, que as partidas-dolorosas, as amargas-separações, as perdas-irreparáveis costumam lavrar assim os rostos dos que ficam. E do buraco negro da memória que ocupa agora o espaço anteriormente ocupado por essa pessoa – sim, era uma pessoa que não lembro - , em vez de faces, jeitos, vozes, nomes, cheiros, formas, chegam-me somente emoções confusas ou palavras como estas – doloroso, amargo, irreparrável."

(Caio Fernando Abreu)


Sabe, você vai ter que esperar tanto. Nem faço questão que espere, mas eu sei que você está esperando! Esperando pra me ver no fundo do poço, chorando, perdendo o controle, implorando por migalhas de atenção e carinho; que eu peça que me perdoe por uma coisa que não fiz. Agora, muito depois das lágrimas que tive vergonha de verter, percebo que o tempo passou e que está parando de doer. E você continua esperando que eu dê minhas vísceras, entranhas, meu sangue coagulado pra te alimentar com o que tem de mais podre em mim. Chega! Não vou mais te alimentar, devorador de carniça, mal agradecido, miserável. Você acha que sempre está certo em tudo e pensa que é realmente muito esperto.
Vista-se com seu disfarce de quem não se importa. Mas nós sabemos (todos sabem) que você se importa. E você tenta esconder que tem medo disso, mas você nem sempre consegue.
Quanto a mim? Eu estou aprendendo a nem me importar. Se for necessário, lerei vários livros de auto-ajuda, ficarei em silêncio mesmo querendo gritar, rezarei para um deus que nem sei se acredito, incitarei a mim mesma, romperei laços, destruirei pontes. Mas você não se alimentará mais de mim.

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