terça-feira, 12 de abril de 2011

it just hurts, that's all


☊ field of innocence

"Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará."

(Caio Fernando Abreu)


Todo mundo já perdeu alguma coisa bastante importante. Uma pessoa especial, um amigo, um avô, um amor. Para lidar com isso você precisa ser forte para suportar a dor e usar todas as suas chances de ser ouvido.
Perder é uma das coisas mais árduas do mundo, porque perdemos não só a pessoa especial, mas parece que um pouco da gente parte também, para sempre. Isso inclui seu sorriso, seu brilho e muito além.
É impossível pensar na nossa vida e no quanto tudo é passageiro quando uma pessoa importante morre. E vê-las partir, uma após outra.
Hoje eu pensei nisso. Na dor de uma amiga que perdeu o pai e logo em seguida, perdeu a mãe. Apenas aquele silêncio cego e indolor. O vazio profundo que é virar para o lado e não encontrar essas pessoas de uma vida toda. A morte é um espelho. Já tive perdas significativas na minha vida e todas essas ausências ainda doem muito. Mas tudo serve pra gente pensar se cada minuto que temos está sendo gasto como deve ser, mesmo com todos os transtornos que ao longo do dia temos, mesmo que tudo não esteja como tínhamos imaginado, será que estamos fazendo o nosso melhor? A morte e apenas ela, clara e limpa como um cristal.
Hoje foi um dia triste pra mim. E muitas questões ainda pairam por aqui. Nelas, a memória estava presente, preenchendo um espaço infinito de lembranças daqueles que me deram paz em uma vida de guerra. Por entre as saudades.



 

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