quarta-feira, 25 de maio de 2011

dois ponto cinco


☊ coisas da vida

"Lóri estava triste. Não era uma tristeza difícil. Era mais como uma tristeza de saudade. Ela estava só. Com a eternidade à sua frente e atrás dela. O humano é só. Ela quis retroceder. Mas sentia que era tarde demais: uma vez dado o primeiro passo este era irreversível, e empurrava-a para mais, mais, mais! O que quero, meu Deus. É que ela queria tudo."

(Clarice Lispector)

É isso, lógico. Como não havia pensado nisso antes? Acho que foram os gritos de desespero que calaram meus pensamentos e me tiraram a atenção. E essa semana mais um acontecimento triste. E fiquei aqui com meus botões - que não tenho - pensando sobre os caminhos e descaminhos da vida, sobre as idas e voltas do destino, sobre as escolhas que fazemos (ou não) e suas consequências. Uma velha conhecida, dos tempos do colégio, desistiu. Da vida, de tudo. De fazer e refazer caminhos. Deixou bilhete de adeus e teve seu ato de coragem. E assim desistiu. Tão silenciosamente, como se a vida pertencesse só a ela e a mais ninguém que a amava. Mas pertence, mas pertencia. A vida é cheia de encruzilhadas, eu sei. Sim, eu sei.

Fiquei espantada com a intensidade que essas decisões têm. Ninguém é obrigado a tomar decisões conscientes - sejam quais forem.

Não dá um certo medo quando essas coisas acontecem? De que possa acontecer com a gente também? Ninguém é obrigado a ir além do óbvio, do que é repetido por todos, da facilidade do caminho que todo o resto segue. Mesmo que seja uma atitude deliberada. Pois o traço que dividi o desejo da atitude em si é muito frágil. Não me acho mais capaz de tomar decisões do que qualquer outro. É preciso ter sempre alguém cuidando de você pra que não exceda esse traço em momentos de desespero. Sejam eles quais forem, porque os meus não são os únicos.

Agora, eu não sei. De um certo modo, me senti envergonhada por ter sido muito fraca ultimamente. Dias de sentimentos diversos e tão intensos. Ângulos diferentes. Tem pessoas com problemas bem maiores que os meus. E, ao mesmo tempo, percebi que talvez eu nem seja tão fraca quanto penso. A minha vida é mesmo um grande liquidificador de misturas efêmeras.

Percebi isso. Afinal, ainda não desisti.

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