Nasci numa primavera. Foram 13 horas até conseguir chegar ao mundo. Ganhei alguns presentes, mas o que eu mais gostei foi uma boneca de pano com os cabelos vermelhos, dada pelo meu avô, esta boneca ainda existe. Quando fiz 4 anos, ganhei outro presente do meu avô, um balanço sob uma mangueira que ficava no quintal de casa, lá era meu refúgio. Era onde brincava por horas com minha boneca de pano, chamada Beatriz. Sempre tive os cabelos curtos, até começar a escolher minhas roupas e meu corte de cabelo. Cresci. A casa começou a ficar pequena, mas um dia ficou grande de novo. Sofria muito por me questionarem por pensar demais, por me trancar no meu mundinho particular, mas eu não achava/acho isto errado.
Adoro uvas. Preciso vestir diariamente roupas escuras, apesar de gostar de roupas claras. Tenho preguiça de usar batom. Tem dias que só quero ficar na cama, ouvindo músicas. Filosofia, poesias, Carpinejar, Caio Fernando Abreu e Nietzsche. Uma coberta com 20 anos. Papéis, canetas, cartas. Distraio-me pegando uma rua qualquer. Andando consigo ter minhas melhores ideias e sempre acho que devo comprar um gravador. Curto, choro, vivo. Adoro ficar sozinha, mas tenho medo de ficar sozinha pra sempre. Suco de laranja. Empadão de frango. Aprendi a ter paciência. Fobia à aves, mas gosto de comer carne de aves. Adoro o sol e de olhar as estrelas à noite. Rock alternativo. Cerveja e cigarros. Batata frita. Olhar o pôr do sol. Tatuagens. Eternal Sunshine of the Spotless Mind e Elizabethtown. Coldplay. Massagem, carinho e ócio. Parede riscada. Inglês. Pará. Castanhal. O cheiro da primeira vez, perfumes, maquiagem, roupas novas, planos, viagens, romance, conquista, sedução, entrega, verdade. Bar do meio. Café com polenta da mamãe. Manter todas as coisas perto pra não esquecer quem sou.
"E re… nasceria, depois. Em cada amanhecer, renovada e sempre a mesma, endurecida em sua natureza."
terça-feira, 5 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
☊ the drugs don't work ♪
"Querido,
Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis. E não quero revivê-los. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que me parece ser o melhor a se fazer. Você me deu muitas possibilidades de ser feliz. Você esteve presente como nenhum outro. Não creio que duas pessoas possam ser felizes convivendo com esta doença terrível. Não posso mais lutar. Sei que estarei tirando um peso de suas costas, pois, sem mim, você poderá trabalhar. E você vai, eu sei. Você vê, não consigo sequer escrever. Nem ler. Enfim, o que quero dizer é que é a você que eu devo toda minha felicidade. Você foi bom para mim, como ninguém poderia ter sido. Eu queria dizer isto – todos sabem. Se alguém pudesse me salvar, este alguém seria você. Tudo se foi para mim mas o que ficará é a certeza da sua bondade, sem igual. Não posso atrapalhar sua vida. Não mais. Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos.V."
(Virginia Woolf)
segunda-feira, 20 de junho de 2011
iluminar... só
☊ field of innocence ♪
Demorou, mas agora percebi que a esperança morre por falta de ar e o sol não nasce de desprezo. Tantas borboletas guardadas em gavetas empoeiradas em quartos inabitados.
Demorou, mas eu expiei por esperar tanto.
domingo, 19 de junho de 2011
coração amarrado
☊ pulsos ♪
"E quando alguém, no plano real, toma forma, a gente imediatamente projeta toda aquela emoção presa na garganta do sonho. E fatalmente se fode, porque está tentando adequar/ajustar um arquétipo, uma imagem de toda a nossa infinita carência, nossa assustadora sede, a uma realidadezinha infinitamente inferior."
(Caio Fernando Abreu)
(Caio Fernando Abreu)
Não me ponha limites, não estabeleça barreiras para mim. Não me faça desistir de sonhar.
Não sou nenhum tipo de matéria que você possa moldar; não procure mais me iludir com as coisas que eu queria ouvir. Não me faça fugir pra depois não tentar me segurar.
Não me ponha na postura de sedução, não tente aparentar ser inglês, não tente aparentar ser esmerado, não seja indiferente. Goste de mim mesmo quando não conseguir te fazer sorrir.
E por favor, deixe de ser essa pessoa insuportável que eu não tinha conhecido.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
que assim seja. ou não.
☊ mr rock and roll ♪
E enquanto o momento não se aproxima, enquanto ainda demora, discreto e suavemente (nós) fizemos nossos acasos e desses acasos nosso destino e desse destino a única coisa a que nos valemos (pois é apenas ele que nos mantém ligados). Talvez só exista com o simples ato de nos manter juntos.
E eu percebo, com o pouco de certeza que ainda tenho, que somos nós que colocamos os acasos a nosso favor.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
o problema do outro
☊ i am only one ♪
"A gente nunca fica satisfeita com os desfechos de nossos relacionamentos: se não conseguimos esquecer alguém, sofremos. Se conseguimos, lamentamos o quão pueril tornou-se o passado. Senti uma fisgada hoje pela manhã que nada mais era do que a dor da perda, mas não a perda de uma pessoa, e sim de uma etapa vencida. Acho que agora compreendo quando, ao subir uma montanha muito íngreme, recomendam que a gente não olhe para baixo."
(Martha Medeiros)
quarta-feira, 15 de junho de 2011
(des)conforto
☊ something special ♪
Olha para si e para seu corpo ileso. Acostumar-se com sua magreza não a tornava mais agradável.
Menina ainda, com discretas curvas admiráveis e finos traços. E lá se vinham os sonhos molhados, planos no varal e o coração atirado na lama.
A infância vai embora. Numa noite de verão, onde achou tudo muito quente. Os azulejos e a branquidão do quarto contradiziam os sons e barulhos que ouvia por todos os lados.
Chegou a uma pré formação de um corpo juvenil. Sem boas-vindas.
Com a mente e o coração fraco, ela ainda fazia tranças em suas ruivas bonecas. Sentia que iria explodir em prantos a qualquer momento, mas não conseguia.
Diante do espelho, frágeis olhos se abriam para o despertar volúpio; para o corpo despido e banhado de suor, para a astúcia recém-chegada. Finalmente, sentia o ar que necessitava inflar-lhe os pulmões.
Carne, mãos, toques, conhecimento. Curiosidade cresce tanto...
As mãos de delicados contornos, percorriam pela lingerie clara e um tanto atraente, conhecendo cada curva, cada detalhe, a transpiração, o trajeto; tudo estava tão confuso quem sabia o que pensar.
Mas a verdade é que a menina deixara de ser menina. Está na hora de alguém lhe ensinar as coisas, porque está cansada de ter que aprender tudo sozinha.
Uma nova mulher surge para o mundo.
terça-feira, 14 de junho de 2011
desapego
☊ meu vício agora ♪
Estou vendendo a preço promocional meus fantasmas, medos, devaneios, meus mais assombrosos segredos. Vendo minhas inseguranças, meus fracassos e pesadelos.
Tudo com um ótimo desconto pra apreciadores da dor alheia. Algo estúpido e irracional que contém peso demais.
Aceito trocas apenas com os mesmos valores. Não ofereço garantias e não aceito devoluções. Obrigada!
sexta-feira, 10 de junho de 2011
arrepender-se
☊ careful where you stand ♪
"Na vocação para a vida está incluído o amor, inútil disfarçar, amamos a vida. E lutamos por ela dentro e fora de nós mesmos. Principalmente fora, que é preciso um peito de ferro para enfrentar essa luta na qual entra não só o fervor, mas uma certa dose de cólera, fervor e cólera. Não cortaremos os pulsos, ao contrário, costuraremos com linha dupla todas as feridas abertas."
(Lygia Fagundes Telles)
(Lygia Fagundes Telles)
Já é noite e apenas o meu coração bate em ritmo acelerado ao som de Coldplay. A noite extremamente solitária e ainda nem passara das dez e tanto pra render. Careful where you stand tocou o dia todo dentro de mim, como uma oração, a última por aquele amor. A solidão me ataca de maneira poderosa. No entanto, lá no fundo, bem dentro de mim, sinto que nunca poderia ter uma existência diferente do que tenho, uma vez que as músicas que escuto fazem parte do meu próprio corpo, são eu mesma.
Queria algo qualquer que me ajudasse a dormir e fizesse pensar que vai dar tudo certo, da maneira que deve ser. Há quem diga que é melhor se arrepender de algo feito do que se arrepender por algo que você deixou de fazer. Por que ainda tenho dúvidas disto? Mas sinto medo, particularmente em situações estranhas como estas, onde apenas o meu coração bate acelerado, sem precisar dizer mais nada.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
você acha que eu não sei?
☊ mr. brightside ♪
"Parece-me agora, tanto tempo depois, que as partidas-dolorosas, as amargas-separações, as perdas-irreparáveis costumam lavrar assim os rostos dos que ficam. E do buraco negro da memória que ocupa agora o espaço anteriormente ocupado por essa pessoa – sim, era uma pessoa que não lembro - , em vez de faces, jeitos, vozes, nomes, cheiros, formas, chegam-me somente emoções confusas ou palavras como estas – doloroso, amargo, irreparrável."
(Caio Fernando Abreu)
(Caio Fernando Abreu)
Sabe, você vai ter que esperar tanto. Nem faço questão que espere, mas eu sei que você está esperando! Esperando pra me ver no fundo do poço, chorando, perdendo o controle, implorando por migalhas de atenção e carinho; que eu peça que me perdoe por uma coisa que não fiz. Agora, muito depois das lágrimas que tive vergonha de verter, percebo que o tempo passou e que está parando de doer. E você continua esperando que eu dê minhas vísceras, entranhas, meu sangue coagulado pra te alimentar com o que tem de mais podre em mim. Chega! Não vou mais te alimentar, devorador de carniça, mal agradecido, miserável. Você acha que sempre está certo em tudo e pensa que é realmente muito esperto.
Vista-se com seu disfarce de quem não se importa. Mas nós sabemos (todos sabem) que você se importa. E você tenta esconder que tem medo disso, mas você nem sempre consegue.
Quanto a mim? Eu estou aprendendo a nem me importar. Se for necessário, lerei vários livros de auto-ajuda, ficarei em silêncio mesmo querendo gritar, rezarei para um deus que nem sei se acredito, incitarei a mim mesma, romperei laços, destruirei pontes. Mas você não se alimentará mais de mim.sexta-feira, 3 de junho de 2011
minha ilha perdida
☊ use somebody ♪
"Não tenha medo, menino. Você vai encontrar um jeito certo, embora não exista o jeito certo. Mas você vai encontrar o seu jeito, e é ele que importa. Se você souber segurar, pode até ser bonito."
(Caio Fernando Abreu)
(Caio Fernando Abreu)
Quando contei o que machucava, ele falou: "a gente vai ar um jeito". E não foram simples palavras. Pois a gente já passou por uma situação parecida nessa vida. E não está sendo mais fácil, mas dói parecido. Daí, você percebe que não está sozinha. E não é apenas de amor. De amor clichê. É sozinha, no mundo. É ver que no momento do desespero, ele vai te abraçar bem forte, segurar o seu rosto e olhar bem nos seus olhos pra falar que vai dar tudo certo. Afinal, qual é a graça de viver a vida se você não tiver com quem dividir? Mesmo que você perceba o chão se abrindo sob seus pés e o caos domine tudo ao seu redor. Passa a enxergar dentro da outra pessoa, descobrindo todos os pontos fracos sem fazer com que isso seja algo ruim. Tanto faz. Aquele abraço capaz de segurar o mundo é como se fosse a última melhor coisa que pudesse ter na vida. Ele não se deixa abalar. Não quando você precisa. Não vai te deixar desistir, nem cair. É onde você passa a confiar, apostar, acreditar e investir.
Pois há um companheirismo, uma cumplicidade, uma afinidade que não se destrói, apesar da distância, do tempo, dos contratempos do cotidiano. Nos segura, nos põe pra frente, nos deixa feliz por tão pouco. Certas coisas são, não estão. E é isso que estou falando. De infinitudes e certezas.
É vontade de estar ao lado um do outro o tempo todo pra não se perder nunca.
"Em decadência da minha mente, consumo contraditório, eu vejo que ainda sinto falta, vem me visitar e perturba meu sono, veja como está! (está bem, minha criança).
Da realidade a mentir pra si mesmo, alimentado por dois mundos tão diferentes e tão perto de serem perfeitos, eu me deixei ser julgado por não entender a origem do que eu poderia ter 'deixado acabar'.
Fantasias, você não me arrancará assim de você, chorará pelo que deixei em você - lembranças, amores, beijos, e uma vida acabada. Eu não quero me arrepender de nada, o fiz de certa forma e tenho que pagar; justa injustiça a meus planos quase fora da mesa.
Imaginário de tumulto, criando você em pedaços, divididos em corpos, a sua alma está em mim, o seu perfume. Os sons se tornam diferentes, pesados em noites não dormidas, as palavras continuam se repetindo...
Está tão longe, o mundo me parece menor, eu vejo por que não vivo mais, apenas os rostos, familiares pro mundo, diferentes demais pra cumprimentá-los.
Ao fim da tarde eu não posso temer nada, eu amo e acabo tudo, vidas...
Vagando longe daqui, mas eu ainda sinto sem poder querer que venham."
quinta-feira, 2 de junho de 2011
DeL
☊ o anjo mais velho ♪
"O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranqüila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: "Se eu fosse você". A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção."
(Rubem Alves)
(Rubem Alves)
É muito bom quando nós nos surpreendemos de uma forma positiva com pessoas que menos esperamos. Pessoas que conhecemos e não botamos fé que irão se tornar grandes amigos, aí de repente a identificação é intensa que mesmo com tantas diferenças, acabamos parecendo amigos de infância. Novos sorrisos, elogios e motivos de felicidade, talvez instantânea, talvez duradoura.
Eu tive dois amigos assim: universos, idade, gostos musicais, vida pessoal, histórias de vidas completamente diferentes da minha e uma imensa e verdadeira relação de amizade. Adorava escutar os conselhos deles, via as opiniões de outro ângulo, de um jeito que eu nunca havia imaginado. Era uma rede de amizade e carinho que fazia com que as coisas ruins ficassem um pouco mais leves e as boas melhores ainda.
Tê-los ao meu lado era maravilhoso, podíamos rir, bater papo, trocar ideia, falar sério e falar besteira, dar aquele abraço quando um não estava se sentindo bem ou até mesmo ganhar aquele velho puxão de orelha, mas era de preocupação – sempre achei que foram as pessoas que mais se preocupavam comigo.
Era uma deliciosa troca. Em meio a diversas coisas que passava diariamente, poder contar com pessoas assim era um divino presente.
Meu estado atual de espírito não tem ajudado muito e não ter vocês por perto ajuda muito menos.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
e aí, tempo?
☊ revelry ♪
"Aprendi que tudo passa, tomando chá ou cachaça
Tomando champanhe ou não
Aprendi da importância de não dar muita importância
Ficar com os meus pés no chão
Aprendi que viver cansa, mesmo vivendo na França
Mesmo indo de avião
Aprendi que a descrença, a desconfiança e a doença
São partes da maldição
Aprendi que a ignorância, a sordidez e a ganância
São lavas desse vulcão
Aprendi que essa fumaça a minha janela embaça
Por fora, por dentro, não"
(Itamar Assumpção)
Tomando champanhe ou não
Aprendi da importância de não dar muita importância
Ficar com os meus pés no chão
Aprendi que viver cansa, mesmo vivendo na França
Mesmo indo de avião
Aprendi que a descrença, a desconfiança e a doença
São partes da maldição
Aprendi que a ignorância, a sordidez e a ganância
São lavas desse vulcão
Aprendi que essa fumaça a minha janela embaça
Por fora, por dentro, não"
(Itamar Assumpção)
Morre-se devagar. Esse inferno que embota a alma.
De princípio, apagam-se as luzes. Não se vê mais (ora, se não há o que ver, o ato de abrir os olhos pode perder totalmente o sentido).
Logo é a luz que o apaga. A despeito de tudo e encorajado pela infinitude da escuridão de si mesmo, continua-se, assim mesmo: olhos fechados, óculos pendurados inutilmente na mão, o suor a ensopar as roupas, os cabelos e os pensamentos.
O sol aguenta bastante, mas apaga também. Ao menos, é o que dizem.
Na escuridão não se vê nada. Não vê nada e ainda assim se sabe tudo. Descobre-se, pra nunca mais perder-se.
Se não existir a luz própria, o lado sombrio domina e mata.
voltar à caminhada
☊ sonnet ♪
"A noite ultrapassou a si mesma, encontrou a madrugada, se desfez em manhã, em dia claro, em tarde verde, em anoitecer e em noite outra vez. Fiquei. Você sabe que eu fiquei. E que ficaria até o fim, até o fundo. Que aceitei a queda, que aceitei a morte. Que nessa aceitação, caí. Que nessa queda, morri. Tenho me carregado tão perdido e pesado pelos dias afora. E ninguém vê que estou morto."
(Caio Fernando Abreu)
(Caio Fernando Abreu)
Releio textos antigos, faço chover papel picado. Se ao menos tivesse outros poderes ou mesmo outras capacidades...
Minha sombra dança no meio da sala ao som daquela música que não me sai da cabeça e eu permaneço aqui, estática, lembrando; sobretudo uma capacidade desumana de sonhar, que não me combina com mais nada e me deixa um vazio angustiado no peito quando me ponho a pensar.
Já nem me recordo mais quando fiz amor por alguém.
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