terça-feira, 4 de janeiro de 2011

dispersa



"Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu."

(Fernando Pessoa)
 
Eu denomino como crueldade. Algumas pessoas denominam como simultaneidade de diversos acontecimentos. E existem as que denominam de sorte.
Mas eu acho melhor seguir denominando como crueldade. O silêncio sempre me acompanha, me leva pra longe e não me deixa esquecer que ainda estou sozinha mesmo rodeada de gente e que ficar sozinha cansa, dói.
Por que esse mundo continua a girar em volta do mesmo ponto?

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