quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

mania de esperança



Já planejava em pôr as fotos novamente nos porta retratos.
Já aguardava com impaciência sua volta.
Os azulejos e a branquidão do quarto contradiziam os sons e barulhos que ouvia por todos os lados.
Gerou uma porção de novas recordações; canções que não significariam coisa alguma, agora a obrigam pensar nele.
Sentia que iria explodir em prantos, mas não conseguia.
Já havia esquecido aquele sorriso; agora procura limpá-lo de novo da memória.

"Primeiro você cai num poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê."

(Caio Fernando Abreu)

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