terça-feira, 18 de janeiro de 2011

sensibilidade



Quando a dor se manifesta, não é a alma que se reprime é o físico que reclama em voz alta e deixa de existir. Complexo de achar que é muito melhor um amor triste.
A alma compreende tudo, entende tudo.
A alma glorifica, omiti o sofrimento.
Ela concede o perdão.
Mas o homem no orgulho se conserva, se alimentando do sofrimento e despreza: que na vida são as coisas invisíveis que realmente permanecem.

"Rasga as bordas da saia, e anda. A vida , por vezes, dança, tão nua, entre filós. E muda. Dos passos: caminha de costas pro tempo, escasso. Ramo de trigo entre os seios pra lembrar do que farta. Faz promessas em dia de lua, cheia. Faz colar de lentilhas. Borda de azul a saia branca, esse desejo de ter oceano nas ancas. Flores do campo nas mãos, passos firmes e lentos. Trovões rasgam o véu do tempo. Presentes passado e futuro. Relógio de sol. Im-pulsos. Risca em vermelhos e laranjas a parede branca descascada. Põe fogo-artifício sobre lençóis. Depois improvisa com bambus uma cruz. Acentua sobre as cinzas, as flores. Traça o sinal-da-cruz na fronte. Quarta-feira, cinzas. E lembra que sempre é possível re-começar. Nas mãos: nada, desejos: alguns de alma, e ela escreve areia ao redor das ruínas. Ergue um templo de palavras, sacras. Faz preces. Tece apreços. Lembra sem pudor até inflamar os olhos. Vibra a alma em sol sustenido com sétima. Não traça caminhos, só ascende às estrelas. E espera. O ano rebenta o tempo para deixar sua marca. E ela demarca em seus braços um tempo que não há de passar. Jamais."

(Cecília Braga)

2 comentários:

  1. Consigo sentir a organização de palavras deste texto, e o jogo q elas fazem não foi proposital rsrs. Veleu pelo extraordinário cuidado :)beijos :*

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  2. Oi, Yolane! Sua distinção é a naturalidade; o escrever coisas intensas em algumas palavras. Meus parabéns!! Um abraço, Leo.

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