sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

entre lembranças e esquecimentos



Não tenho asas como as borboletas
Por esse motivo meu voo é através das palavras
Não estou certa do que desejo
Por esse motivo perco a esperança
Não compreendo o que sinto
Por esse motivo algumas vezes escondo a verdade
Não tenho mais você na minha história
Por esse motivo arrancá-lo-ei da memória 
E sempre torno a pensar em você, 
na hora que vou dormir, 
no momento que acordo, 
penso se talvez em alguma parte do seu dia, 
pense na menina amarela e pés engraçados que ocupava seus cafés 
e algumas vezes te fazia rir.

"Como eram mesmo aqueles versos que falavam em primaveras, em morrer, em nascer de novo? Como eram, você lembra? - ele perguntou subitamente ansioso e meio infantil, puxando-a pelo pé como fazia às vezes nas manhãs de domingo, quando ela demorava a acordar e ele insistia cantando cantigas inventadas num ritmo de caixinha de música: Venha ver o sol oh meu amor! vista sua saia, vamos para a praia! o dia está tão lindo oh meu amor! hoje é domingo lindo de sol.
(...)
- Cecília Meireles, era Cecília Meireles, era um poema assim que eu dizia: “Levai-me por onde quiserdes! aprendi com as primaveras a deixar-me cortar! e a voltar sempre inteira”.
Ele apagou o cigarro. Depois bateu palmas como uma criança:
- Que bonito, que bonito. Como é mesmo?
- E recitaram juntos (...) “Levai-me por onde quiserdes! aprendi com as primaveras a deixar-me cortar! e a voltar sempre inteira”."

(Caio Fernando Abreu
)

2 comentários:

  1. Fala serio moça.
    Não se esconda, demonstre o que você deseja, apenas não fale.
    Sacou?

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  2. Memória...memória...memória...
    foi lá na alma!

    bj de dentro

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