sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

porque eu quis saber



"Somos muito parecidos, de jeitos inteiramente diferentes: somos espantosamente parecidos. E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim - para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura. Perdoe a minha precariedade e as minhas tentativas inábeis, desajeitadas, de segurar a maçã no escuro. Me queira bem. Estou te querendo muito bem neste minuto. Tinha vontade que você estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes, pequenas, e sem nenhuma importância, algumas. Fique feliz, fique bem feliz, fique bem claro, queira ser feliz. Você é muito lindo e eu tento te enviar a minha melhor vibração de axé. Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Com cuidado, com carinho grande, te abraço forte e te beijo."

(Caio Fernando Abreu)

O amor ficou estúpido, robusto e bruto.
Seus ensinamentos estão escritos em tantos lugares.
Raivoso e encarcerado numa jaula entre o aglomerado de curiosos.
Seus feitos são ouvidos pelas bocas de várias pessoas.
Atração de circo pra todos assistirem.
E todo mundo tem vontade de assistir.
A solidão lhe ataca de maneira poderosa.
Tem traços de puta e bafo envelhecido.
E assim se faz.
Ataca a curiosidade de ver, de tocar, de cheirar.
Detesta se importar com o passado.
Desperta o desejo de experimentar pra conhecer o sabor.
E adora isso!
O amor é lanche barato pra quem tá morto de fome.
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário