"Deve ser boa a vida de peixe de aquário, murmurei.
- Deve ser fácil. Aí ficam eles dia e noite, sem se preocupar com nada, há sempre alguém para lhes dar de comer, trocar a água... Uma vida fácil, sem dúvida. Mas não boa. Não se esqueça de que eles vivem dentro de um palmo de água quando há um mar lá adiante.
- No mar seriam devorados por um peixe maior, mãezinha.
- Mas pelo menos lutariam. E nesse aquário não há luta, filha. Nesse aquário não há vida."
(Lygia Fagundes Telles)
É uma certa-certa coisa que está presente aqui nesse momento, que parece não existir espaço nem para o ar entrar nos pulmões; que eu fico me questionando – o que devo fazer? – e nem é questão de vida ou morte. Mas logo a sombra negra da memória vem me avisar que era tudo mentira e não existe motivo pra ficar tranquila. É uma situação de pensar e pensar que não há tempo - e de que quero tempo, tempo pra secar tudo isso aqui, sabe? E a resposta desse tudo precisa ser encontrada logo, meu Deus, tanto tempo que eu tive pra resolver toda a situação que nem sei mais o que é melhor. Daquela vontade de sumir que eu já disse nos meus outros escritos; fazer, a gente sempre deve fazer. Mas mais uma vez caio no poço profundo das impossibilidades. Quem dera eu pudesse fazer nada e continuar assim respirando, respirando e só precisar pensar no que comer e não comer. Mas é coisa que eu não consigo passar por cima e mesmo imaginando o arrependimento mais na frente – até posso vê-lo – é o que eu preciso fazer, então eu vou fazer. Pois o tempo gosta de pirraçar, tempo gosta de – tempo esgotado!
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