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"Eu preciso muito, muito de você. Eu quero muito, muito você aqui de vez em quando nem que seja, muito de vez em quando. Você nem precisa trazer maçãs, nem perguntar se estou melhor. Você não precisa trazer nada, só você mesmo. Você nem precisa dizer alguma coisa no telefone. Basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio. Juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro. Mas eu preciso muito, muito de você."
(Caio Fernando Abreu)
(Caio Fernando Abreu)
Já é madrugada. É normal a falta de sono chegar sem avisar e levar embora horas que eram para ser tranquilas e sonhadas. É o coração tomado de dor que atrai esse tipo de acontecimento. O chá não produz mais a boa impressão de indolência, acaba trazendo desconforto por dar um efeito que não mostra na embalagem. Tá certo. À noite você é uma criança. Chora como se não houvesse lágrimas suficiente e come apenas para poder sentir qualquer coisa pesando no seu corpo que não seja dor.
O dia foi cheio de situações tristes que não daria para enumerar nesse texto. É muito simples ficar reclamando, complicado é encontrar as respostas certas para facilitar esta proeza, este esforço que é sobreviver. E só.
O que era doce vai deixando de ter gosto até ficar sem graça. Saborear aos poucos precisa de muita calma, condição que foi arremessada no porão de enganos. E a falta de sono continua, em companhia de uma leve dor de cabeça, mas que não deixa de ser chata. Alma fria, insossa e frívola como uma estátua grega no meio de um deserto de gelo.
Às vezes, tudo aparenta ir bem. Mas, é apenas a consequência dos primeiros minutos que um bom brigadeiro causa. A sensação é rápida. Existe coisas mais fortes. Não há mais como evitar. A experiência, na verdade, não será desejável. Se bem que ilusões fazem parte do abstrato. Mas quem se importa?
A imaginação é uma necessidade. Fraqueza.

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