"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre no meio da tristeza! Só assim de repente, na horinha em que se quer, de propósito - por coragem. Será? Era o que eu às vezes achava. Ao clarear do dia."
(João Guimarães Rosa)
E lá se vão 10 anos. Muito tempo, mas é pouco se comparar com a saudade. Eu era menina, com os meus 14 - 15 anos com vários sonhos e várias realizações pela frente. Foi tão difícil me centrar. Me encontrar, achar um rumo. Me focar em algo. Meu primeiro emprego, meu primeiro negócio autônomo, minha segunda graduação, a publicidade cada vez mais presente na minha vida profissional – como você descreveu. A tatuagem que ainda não fiz e todas as pessoas que eu adoro, gosto e as pessoas que ainda suporto e nem sei por quê. Muitas alegrias, várias tristezas, algumas perdas irremediáveis. Aquelas pequenas mágoas que você junta e depois usa de álibi e começa a se culpar por ser assim tão ruim em manter relações. Namorei, noivei, desencantei. Me apaixonei, namorei, sofri. E o maior presente de toda uma vida a caminho. Nada disso você pôde assistir e compartilhar comigo e caramba, faz tanta falta! Eu ando tão sozinha ultimamente e ando me emocionando tanto. Quantas vezes me vi tentando saber o que você me falaria em certa ocasião? O que me aconselharia? Será que gostaria da mulher que me tornei? Também já fiquei um pouco com raiva pensando o porquê de essas coisas acontecerem comigo. Depois, tem uma porção de coisa que eu não quero, que eu não sei como lidar. Mas com o passar do tempo, a gente vai crescendo e aprendendo a aceitar e lidar melhor com as coisas, mas o lugarzinho aqui no peito, essa feridinha tem horas que sangra, viu? E quando me sinto desse jeito meio “momentos meus”, às vezes um pouco deprimida, eu me lembro de você. À noite sempre dá vontade de chorar, estando triste ou não. Quando ouço uma voz grave e calma, uma música clássica também me recorda você. Não sei como dizer que sinto sua falta de uma maneira que não pareça completamente estúpida ou completamente fraca. Na verdade, não existe um dia sequer em que eu não pense em você.
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